sábado, 26 set 2020
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A ação de automação do MBL e a revolução para as mídias livres, por Ivana Bentes

Por Ivana Bentes*

A gente sempre fica feliz quando uma ação restringe disseminação automática de fake news e mensagens de ódio, ainda mais diminuindo o alcance do MBL. A questão é que o Facebook desativou o Voxer, aplicativo em que os perfis do Face autorizam ter postagens automáticas de terceiros por denúncia da matéria de O Globo contra o MBL.

A questão é: Vão criminalizar um aplicativo que dá as páginas independentes poder de automação massiva como têm as mídias corporativas?!!! Fake news é uma coisa, discurso de ódio, invasão de privacidade, mas poder de automação da comunicação é outra! É a revolução para as Mídias Livres e a constituição de uma nova ecologia midiática!

Eu emprestaria minha página do FB para postagem automatizadas massivas, em uma ação ativista! E já fiz isso em 2015, quando o Meu Rio lançou o Compartilhaço, um aplicativo desenvolvido por eles e que sincronizava milhares de páginas para vocalizar causas públicas e importantes.

Por isso quero entender o fundamento do FB, porque assim no varejo fica confusa a penalização! Restringir o alcance das mídias digitais interessa a quem? A maioria das pessoas não tem ideia de como as postagens chegam ou são barradas na sua timeline. Estamos começando mal, com poder de polícia, de mídia e poder discricionário neste debate!

A automação massiva de mensagens produz uma opinião pública fake? Usando robôs e aplicativos? A opinião pública na era da sua automação técnica é sim um problema, mas como regular? Restringindo a automação?

Teremos regras do FB que só valem nos EUA se impondo no Brasil? Teremos regras que só valem no Brasil se superpondo as do FB? Apelo aos meus amigos universitários, hackers e midialivristas para entendermos as ações e estratégias que vão incidir sobre as eleições 2018 #MidiaLivre

Globo: “O Facebook desativou o ‘Voxer’, após ter sido procurado pelo GLOBO durante a apuração de uma reportagem sobre a estratégia digital do MBL. A empresa entendeu que o mecanismo de compartilhamento automático de postagens violava as normas da rede social, porque permitia que o MBL também redigisse os comentários dos próprios usuários. ”

Realmente, o MBL ter autorização para postar automaticamente acho que não viola regra nenhuma, pois é uma decisão dos usuários (tornados cidadãos-robôs), mas incluir até “comentários” na postagem aí já é vandalismo.

P.S. A diferença entre a ação do MBL e outras de automação, como o Compartilhaço, do Meu Rio, segundo o Uirá Porã Maia Do Carmo: “A diferença essencial é que no Thunderclap, você vincula seu Facebook para apoiar uma mensagem específica, pré-definida, que será publicada de forma simultânea para criar uma onda. O lance do MBL era uma API do tipo PatoAmarelo, em que o usuário libera para o MBL postar o que quiser e na hora que quiser sob o critério que quiser….”

DETALHES DA MATÉRIA

(…) “Por meio do aplicativo “Voxer”, MBL compartilhou suas postagens de forma irregular em contas de outros usuários (…) “Há duas semanas, o MBL enviou uma mensagem pelo Facebook para sua base de apoiadores pedindo autorização para reproduzir até duas postagens por dia no perfil de cada usuário. Os seguidores que aceitaram deram uma espécie de cheque em branco para o MBL. Desde o dia 16 de março, o grupo promoveu um compartilhamento em massa de conteúdos por meio das contas de outras pessoas.”

(…) “De olho na eleição de outubro, o Movimento Brasil Livre (MBL) encontrou uma forma de enfrentar a restrição recente imposta pelo Facebook às páginas na rede social e passou a publicar conteúdo em massa, por conta própria, usando o perfil de seus seguidores. Por meio do aplicativo “Voxer”, o movimento compartilhou suas postagens de forma automática em contas de outros usuários. No entanto, o Facebook desativou o “Voxer”, após ter sido procurado pelo GLOBO durante a apuração de uma reportagem sobre a estratégia digital do MBL. A empresa entendeu que o mecanismo de compartilhamento automático de postagens violava as normas da rede social, porque permitia que o MBL também redigisse os comentários dos próprios usuários. ”

Aqui a matéria.

*Ivana Bentes é diretora da Escola de Comunicação da UFRJ.

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