terça-feira, 22 set 2020
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Assassinato de Marielle Franco supera o impeachment de Dilma no Twitter

O impeachment de Dilma havia estabelecido um recorde em eventos políticos, mas a marca quebrada pela reação ao assassinato de Marielle – Foto: Renan Olaz/Câmara do Rio

Desde a última quarta-feira (14), o maior acontecimento político-digital no Brasil passou a ser o assassinato brutal da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ). Os tiros que tiraram a vida da ativista extrapolaram as fronteiras do bairro do Estácio e até do Rio de Janeiro, pois provocaram 3,573 milhões de tuítes. Nas 42 horas seguintes, mobilizaram 400 mil usuários do Twitter em 54 países e 34 idiomas. As informações são de José Roberto de Toledo e Kellen Moraes, da Folha de S.Paulo.

O resultado surpreendeu até quem está acostumado com esse tipo de reação. “Nunca vi nada igual”, revela Fabio Malini, coordenador do Laboratório de Estudos de Internet e Cultura, o Labic, da Universidade Federal do Espírito Santo. Ele e sua equipe capturam e analisam os dados e buscaram tuítes que combinavam “Marielle”, “vereadora”, “rio” e “morte”, entre outras palavras.

Durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados, em 2016, o Labic fez o mesmo trabalho. Os pesquisadores encontraram 3,357 milhões de tuítes publicados sobre o tema ao longo de 72 horas. O impeachment estabelecera um recorde em eventos políticos – marca quebrada pela reação ao assassinato de Marielle. Foram 200 mil tuítes a mais e em menos tempo. Não só.

A distribuição das publicações e o alcance dos compartilhamentos delas mudaram radicalmente nesses dois anos que separam um evento de outro. “A polarização política aparece muito mais diluída agora”, observa Malini. Em discussões ideologizadas, como foi no impeachment de Dilma, o mapa das relações entre os usuários costumava mostrar dois grandes grupos antagônicos tomando para si quase todo o espaço do debate digital. Não mais.

Redação
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