Fantástico mostra áudios exclusivos que comprometem Caboclo no escândalo de assédio

O programa da Globo teve acesso a uma das gravações feitas pela funcionária da CBF e consultou um perito, que confirmou a veracidade do áudio

A edição deste domingo (6) do Fantástico, na Rede Globo, deu amplo espaço ao escândalo que envolve o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o agora afastado Rogério Caboclo. O programa mostrou áudios exclusivos do dirigente assediando uma funcionária da entidade.

A mulher, que não teve o nome revelado, protocolou na sexta-feira (4) uma denúncia de assédio sexual e assédio moral contra Caboclo.

Os áudios, gravados da sala da presidência da CBF e apresentados pelo Fantástico, mostram, por exemplo, o dirigente perguntando se a funcionária quer uma taça de vinho. Entre os abusos, Caboclo quis saber se ela se masturbava.

A mulher relatou, ainda, que o presidente da CBF expôs sua vida sexual a outros dirigentes, criando narrativas falsas sobre supostos relacionamentos que teria tido com pessoas da entidade.

Em um dos trechos obtidos pelo Fantástico, Caboclo se refere à esposa, diz que é casado há 26 anos e chega a se referir a aspectos sexuais de sua vida. Constrangida, a funcionária tenta se desvencilhar do assédio.

O programa da Globo consultou o perito Wanderson Castilho. O especialista confirmou que a voz gravada no áudio é, de fato, de Caboclo.

A reportagem relatou, ainda, que o dirigente negou o assédio, mas reconheceu que houve “brincadeiras inadequadas”. Além disso, Caboclo afirmou que teria feito um acordo com a funcionária, no valor de R$ 12 milhões, para que ela não divulgasse as gravações, o que foi negado por ela.

O cartola também é acusado de tentar controlar roupas e até amizades da vítima. A tentativa de controle das amizades da funcionária teria ocorrido em março de 2021, um dia depois da reunião na casa do dirigente, na qual ele teria chamado ela de “cadelinha”, assim como oferecido a ela biscoitos de cachorro e simulado latidos.

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Humilhação

A mulher confrontou Caboclo sobre os comentários no dia seguinte ao encontro, expondo a ele que se sentiu humilhada e ridicularizada. Ele disse que não se intrometeria mais na vida dela, mas exigiu que a funcionária rompesse com qualquer relação pessoal ou de amizade com pessoas da entidade.

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Naquele mesmo dia, Caboclo também teria tentando regular as roupas da vítima, alegando que não eram compatíveis com a função que ela exerce na CBF.

Roupas

De acordo com a denúncia, o presidente da entidade teria exigido que ela mudasse a maneira de se vestir e chegou a oferecer dinheiro para que ela comprasse novas roupas.

O Fantástico classificou o momento como uma “semana tensa” para a entidade que comanda o futebol brasileiro. Além da denúncia de assédio sexual e moral contra Caboclo, continua a indefinição sobre a participação da seleção brasileira na Copa América no país.

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Lucas Vasques

Jornalista e redator da Revista Fórum.

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