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30 de julho de 2020, 18h16

Fernando Morais anuncia encerramento do Nocaute

"O dinheiro era pouco e se acabou. Conseguimos sobreviver mais de três anos, sempre com a corda no pescoço", escreveu Morais, que está entre os mais importantes jornalistas e escritores brasileiros, ao anunciar o fim de seu blogue

Divulgação

O jornalista e escritor Fernando Morais, que tem uma vasta obra literária e jornalística, anunciou nesta quinta-feira (30) o encerramento de seu blogue Nocaute, projeto que nasceu em outubro de 2016.

“O dinheiro era pouco e se acabou. Conseguimos sobreviver mais de três anos, sempre com a corda no pescoço. Temos repetido aqui o bordão de que ‘Tempos perigosos exigem jornalismo corajoso’. Mas fazer jornalismo e corajoso e independente tem um custo”, escreveu, informando ainda que o fim do blogue se dará nesta sexta-feira (31).

Segundo o jornalista, as contribuições de leitores foram a principal base de sustentação do blogue nos últimos anos, mas a perda de “poucos anúncios” que recebia tornou “impossível organizar um orçamento mínimo”.

“Nos últimos meses vivemos sem saber se haveria recursos para bancar os gastos do mês seguinte”, lamentou Morais.

O escritor, no entanto, garantiu que não “jogará a toalha ou abandonará as bandeiras que nos uniram durante quase quatro anos: a luta pela democracia, pelos direitos dos trabalhadores, pela soberania nacional, pela regulação da mídia eletrônica e por uma sociedade em que a riqueza seja de todos, não de uma minoria”.

“Voltaremos, não tenha dúvidas”, pontuou.

Fernando Morais é autor de livros e biografias famosas como A Ilha, Olga, Chatô, o Rei do Brasil, entre outros.

Confira a íntegra do texto de despedida do blogue Nocaute.

Minhas queridas e meus queridos:

Infelizmente, sou portador de más notícias.

O Nocaute está encerrando suas atividades, o que acontecerá amanhã, sexta-feira, logo após a exibição do quarto e último episódio da minissérie Entrevistas com Putin, dirigida por Oliver Stone. 

O dinheiro era pouco e se acabou. Conseguimos sobreviver mais de três anos, sempre com a corda no pescoço. 

Temos repetido aqui o bordão de que “Tempos perigosos exigem jornalismo corajoso”. Mas fazer jornalismo e corajoso e independente tem um custo. 

As contribuições que recebemos regularmente de centenas de amigas e amigos do Brasil e do exterior foram a viga de sustentação do blog, mas as vacas emagreceram para todos. 

A perda dos poucos anúncios que recebíamos e a queda na arrecadação tornaram impossível organizar um orçamento mínimo. 

Nos últimos meses vivemos sem saber se haveria recursos para bancar os gastos do mês seguinte. 

As receitas tornaram-se cada dia mais insuficientes. O aluguel da salinha, os impostos, o custo extorsivo da Internet e a esquálida folha de pagamento – a equipe inteira cabe nos dedos de uma das mãos –  sugaram tudo.

Apesar de navegar contra o vento e a maré, demos furos jornalísticos nacionais e internacionais. Nosso canal no Youtube beira os 110 mil inscritos, com mais de 15 milhões de visualizações. Exibimos quase 2 milhões de horas em programação criada para você. 

Juntamos um dos mais brilhantes times de colunistas e colaboradores da imprensa.

Mês a mês nosso blog alcança mais de 400 mil pessoas. Não é pouco, especialmente num país que em os três principais jornais diários, somados, não chegam a 300 mil exemplares.

Nenhum de nós jogará a toalha ou abandonará as bandeiras que nos uniram durante quase quatro anos: a luta pela democracia, pelos direitos dos trabalhadores, pela soberania nacional, pela regulação da mídia eletrônica e por uma sociedade em que a riqueza seja de todos, não de uma minoria. 

Nossa eterna gratidão é a você. Sem cuja colaboração generosa não teríamos chegado tão longe. 

Mas voltaremos, não tenha dúvidas.

Em meu nome e no da equipe, receba o abraço inoxidável deste seu companheiro de sonhos e de esperanças.

Até a volta.


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