Glória Maria: Se cobrisse política hoje eu já teria apanhado ou batido; veja vídeos

Na primeira entrevista, a Pedro Bial, após se curar de um tumor no cérebro, Glória Maria se mostrou indignada com o tratamento de Bolsonaro a jornalistas e lembrou racismo que sofreu do ditador João Figueiredo. "Quem não gosta de preto, não gosta. Quem é racista é racista"

Em entrevista a Pedro Bial na madrugada desta terça-feira (19), na Globo, a jornalista Glória Maria se mostrou indignada com a forma como Jair Bolsonaro trata os repórteres que fazem a cobertura política no Palácio do Planalto

“Cala a boca? As coisas que eu ouço agora para mim são impensáveis, Pedro. Dizer que o brasileiro está protegido porque ele se lava no esgoto. Para mim, é além de qualquer imaginação. Tem coisas que acho que eu não estou vivendo para ver e ouvir isso. Política eu sempre aprendi que é um nível tão alto e o que estou vendo agora é de uma tristeza. Graças a Deus que eu não cubro política mais, porque eu acho que eu já teria apanhado ou já teria batido”, disse.

Recém curada de um tumor no cérebro, que fez com que ele cumprisse uma “quarentena” por cerca de sete meses, Glória também comentou o notório racismo de João Figueiredo, ex-presidente da ditadura militar, em suas coberturas jornalísticas e disse que nada mudou, além da dimensão que as denúncias racistas ganharam.

“A diferença é que hoje as coisas ganham uma proporção maior. Nada mudou, a discriminação continua igualzinha. As pessoas acham que hoje é pior. Não, não, não. Quem não gosta de preto, não gosta. Quem é racista é racista. Não adianta a Glória Maria apresentar o Jornal Nacional, o Globo Repórter, o Fantástico. Ela é negra? Então, tem que ser discriminada ou diminuída”, disse a jornalista.

Segundo ela, as pessoas tentam disfarçar o racismo. “Dizem assim: elas não percebem. Percebem, sim. Elas sabem que são racistas e gostam de ser. E quem é racista tem o prazer de ser racista, tem prazer em diminuir o outro seja do jeito que for”.

Glória ainda relembrou o racismo que foi vítima quando começou a apresentar programas jornalísticos na TV Globo.

“As pessoas diziam: ah, ela começou a apresentar por causa do movimento negro. Sempre tem uma justificativa para você estar ali. Nunca é porque você tem talento, nunca é porque você tem valor. Então, você vai aprendendo como é o olhar das pessoas sobre você. E como você nasce negro – e eu não sou mulatinha, eu sou negra mesmo, eu sou preta – você aprende a reconhecer isso a 30 quilômetros de distância, você sabe onde está o racista”.

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Renato Rovai
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