quinta-feira, 29 out 2020
Publicidade

Jornal Nacional esconde críticas mais duras do STF a Sérgio Moro e lê nota do ex-juiz

O Jornal Nacional, da TV Globo, desta terça-feira (4), minimizou às críticas feita pelos ministros da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal ao reconhecer quebra de imparcialidade por parte do ex-juiz federal Sérgio Moro em processo contra o ex-presidente Lula.

 “A segunda turma do Supremo Tribunal Federal atendeu a um pedido da defesa do ex-presidente Lula e retirou a delação do ex-ministro Antonio Palocci de uma ação contra ele na Lava Jato”, disse o apresentador William Bonner na abertura da matéria.

Na reportagem, conduzida por Marcos Losekann, o telejornal deu mais destaque à posição do relator Edson Fachin, que foi derrotado na 2ª Turma, e às acusações contra Lula do que às considerações dos ministros Ricardo Lewandoski e Gilmar Mendes, que acataram o Habeas Corpus da defesa e criticaram Moro. O termo habeas corpus, inclusive, não foi mencionado.

Os trechos mais fortes das falas dos ministros também foram omitidos. O telejornal destacou as declarações de que houve “inequívoca quebra de imparcialidade” e que Moro tentou criar “fato político”.

Além dos trechos exibidos pelo JN, Lewandoski apontou que Moro influenciou resultado das eleições de 2018 e “violou o sistema acusatório”. Mendes ainda afirmou que “não deixam dúvidas de que o ato judicial encontra-se acoimado de grave e irreparável ilicitude”.

O telejornal ainda leu uma nota de Moro ao fim da reportagem. A defesa de Lula, vitoriosa na ação, não teve o mesmo direito.

Confira aqui o voto de Lewandoski na íntegra, obtido pela ConJur

Lucas Rocha
Lucas Rocha
Jornalista da Sucursal do Rio de Janeiro da Fórum.