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06 de fevereiro de 2020, 20h43

Justiça rejeita denúncia contra Glenn, mas diz ver “indícios de conduta criminosa” do jornalista

Juiz de Brasília só não acatou a denúncia do MPF contra Glenn Greenwald no caso dos hackers por conta da liminar do ministro Gilmar Mendes, do STF, que protege o jornalista; "Isso não é suficiente pra gente", afirmou o editor do Intercept após a decisão

Foto: Reprodução

A Justiça Federal rejeitou, nesta quinta-feira (6), a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), no mês passado, contra o jornalista Glenn Greenwald. O procurador Wellington Divino de Oliveira pedia que o editor do The Intercept Brasil fosse investigado por associação criminosa com os hackers que invadiram celulares de autoridades e que vazaram as mensagens que foram a base da série de reportagens Vaza Jato.

Na decisão, o juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal em Brasília, apesar de ter rejeitado a denúncia contra Glenn, afirmou que enxerga “indícios de conduta criminosa” por parte do jornalista. Ele preferiu não acatar o pedido do MPF, no entanto, por conta da decisão liminar do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que impede que o editor do Intercept seja investigado, com o objetivo de garantir a liberdade de imprensa e o direito de sigilo da fonte.

“Deixo de receber, por ora, a denúncia em desfavor de Glenn Greenwald, diante da controvérsia sobre a amplitude da liminar deferida pelo Ministro Gilmar Mendes na ADPF nº 601, em 24/08/2019”, escreveu o magistrado.

As denúncias contra outros seis alvos da operação Spoofing foram acatadas pelo juiz.

Não é o suficiente

Em vídeo divulgado nas redes sociais após a decisão da Justiça em rejeitar a denúncia, Glenn Greenwald afirmou que o procurador que o denunciou pratica abuso de poder e que, para ele, a rejeição por parte do juiz não é o suficiente.

“Neste caso, o juiz disse que ele não pôde aceitar a denúncia contra mim por causa da decisão anterior do STF, que proibiu que eu possa ser investigado por causa da minha reportagem, muito menos denunciado por causa da minha reportagem, porque isso é uma violação da Constituição, do direito constitucional para uma imprensa livre. Mas isso não é suficiente pra gente. Nossos advogados agora vão ir para o STF e eles vão pedir uma decisão que deixe bem claro que essa denúncia não é só contrária à decisão anterior do STF mas muito mais do que isso, como quase todas as organizações de mídia e organizações em defesa da liberdade de imprensa, não só aqui no Brasil mas mundial, inclusive hoje a ONU que, como todos, disseram que essa denúncia é um ataque grave contra uma imprensa livre e à liberdade de imprensa”, disse Greenwald.


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