Merval Pereira, da Globo, compara Moro a Biden e apoia chapa com Huck: busca do equilíbrio

"Classificar Moro de extrema-direita por ter participado do governo Bolsonaro é acatar a tese de que ele aceitou o convite não para fortalecer o combate à corrupção, mas para obter benefícios pessoais", diz o porta-voz político da família Marinho

O encontro entre Sérgio Moro e o apresentador da Globo Luciano Huck para discutir uma “alternativa” no cenário eleitoral de 2022 deixou a mídia liberal em êxtase.

Coube a Merval Pereira, porta-voz político da família Marinho, em artigo nesta terça-feira (10), a defesa mais enfática da “busca do equilíbrio” segundo ele proporcionado pela aliança entre o ex-juiz da Lava Jato e do apresentador milionário da TV Globo, a ponto de traçar um comparativo de Moro com Joe Biden, que venceu a “extrema-direita” de Donald Trump, como principal aposta para derrotar Bolsonaro.

“A eleição de Joe Biden nos EUA provou que, contra um extremista de direita, o melhor é uma pessoa de centro, não um extremista de esquerda”, diz Merval para, em seguida, concluir que “um candidato de centro, com capacidade de confrontar Bolsonaro e chamar os eleitores para uma reconciliação nacional pode derrotá-lo”.

Para o colunista global, no entanto, “a questão será definir quem é quem no espectro político nacional”, enquanto sai na defesa de Sérgio Moro, que mesmo tendo embarcado no governo Jair Bolsonaro após participação ativa no processo eleitoral não seria um extremista de direita.

“Classificar Moro de extrema-direita por ter participado do governo Bolsonaro é acatar a tese de que ele aceitou o convite não para fortalecer o combate à corrupção, mas para obter benefícios pessoais”, diz Merval, confessando o acordo pelo ex-juiz para aceitar o cargo. “Se fosse assim, teria aderido às insanidades de Bolsonaro e permanecido no governo, aguardando uma vaga para o Supremo Tribunal Federal (STF)”.

Por fim, Merval ainda acredita que Moro e Huck podem liderar um coalisão ao estilo Biden no Brasil, angariando apoio até mesmo da esquerda “Bernie Sanders” do país.

“[Moro] Pode ter sido ingênuo ao aceitar o cargo, e ao permanecer nele, e essa não é uma qualificação que o habilite a ser candidato à presidência da República. Não é possível imaginar-se que a história se repita, mas é preciso aprender com os fatos. Joe Biden, protótipo do político tradicional de centro, já desde a vitória de Obama sentiu o espírito do tempo e foi capaz de dar uma resposta convincente. Derrotou a esquerda partidária nas primárias, mas ganhou o apoio do senador Bernie Sanders e da senadora Elizabeth Warren, e chamou a deputada Alexandra Ocasio-Cortez, fenômeno da nova esquerda, para participar da formulação de seu programa de governo”.

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.