Outrofobia

27 de julho de 2014, 16h56

a monogamia é um sistema patriarcal e machista

defender a não-monogamia significa, de modo bem concreto e revolucionário, dizer que as mulheres têm direito de desfrutar das mesmas liberdades sexuais que os homens sempre desfrutaram.

o direito à não-monogamia é uma bandeira feminista por definição.

o homem sempre teve o direito de pular a cerca escancaradamente, nunca foi morto “em defesa da honra” por suas “indiscrições” e a sociedade praticamente ordenava à mulher que, em nome dos filhos e da família, perdoasse o marido (“homem é assim mesmo”) pelo adultério que ela teria sido morta se cometesse.

defender a não-monogamia significa, de modo bem concreto e revolucionário, dizer que as mulheres têm direito de desfrutar das mesmas liberdades sexuais que os homens sempre desfrutaram.

se isso não é feminismo, não sei mais o que é.

(naturalmente, uma não-monogamia imposta seria tão ruim quanto a monogamia quase-compulsória de hoje. a liberdade feminista está em dar a todas as pessoas o direito de se juntarem nos arranjos amorosos e sexuais que mais lhes agradarem, incluindo aí até mesmo a monogamia.)

* * *

nada contra duas pessoas terem um relacionamento romântico onde transam apenas uma com a outra.

a monogamia, entretanto, é muito mais do que isso: ela é um sistema institucional quase-compulsório, vendido por nossa sociedade, pelas religiões, pelas famílias e pelas comédias românticas como a única opção possível e concebível para se relacionar e constituir família, tachando de imorais, doentes e antiéticos todo e qualquer arranjo amoroso-sexual não-monogâmico.

quando as pessoas entram em um relacionamento monogâmico não porque escolheram a monogamia entre um sem-número de possíveis arranjos não-monogâmicos que poderiam ter escolhido mas simplesmente porque nunca se deram conta de que havia opções possíveis fora da monogamia, então, sim, nesses casos a monogamia pode ser uma prisão.

meu objetivo é mostrar que existem outras escolhas possíveis. outras alternativas, arranjos, pactos. outras maneiras de viver, de amar, de transar.

não quero que ninguém abandone a monogamia mas somente que reflitam sobre ela.

quero mostrar que ninguém tem obrigação de entrar em um pacto monogâmico. que temos a liberdade de escolher a monogamia (sim, por que não?) ou também qualquer outra das infinitas formas de viver, de amar e de transar.

a escolha é nossa.

* * *

esse post é um trecho de um texto maior. para conferir tudo clique aqui: prisão monogamia

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