Raimundo Bonfim

19 de junho de 2019, 07h37

Moro e Dallagnol combinaram tudo fora da lei para prender Lula

Raimundo Bonfim: “Moro tenta a qualquer custo se esconder atrás da Rede Globo, mas ele deveria ser exonerado e Dallagnol afastado”

Dallagnol e Sergio Moro (Foto: Arquivo)

As informações divulgadas pelo site The Intercept Brasil, que revelam crimes cometidos pelo ministro Sérgio Moro – juiz do caso de Lula em Curitiba e Deltan Dallagnol, do Ministério Público Federal e procurador do mesmo caso, provam o que os movimentos populares denunciam há algum tempo. A condenação de Lula é política.

Existe um ditado brasileiro famoso que diz que “a justiça é cega”. Depois desse episódio, passo a acreditar que a “justiça” brasileira enxerga muito bem o que está à sua frente e escolhe um lado, que nunca é do povo.

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As conversas vazadas provam que Lula foi preso para não ser candidato, pois tinha a chance de vencer a eleição e seguir com um projeto político contra os interesses do grande capital, que em tempos de crise econômica, busca manter suas taxas de lucro.

Sérgio Moro, Deltan Dallagnol e outros membros da força-tarefa da Lava Jato são parte de algumas pessoas que escolheram o lado dos poderosos e foram determinantes para golpear Dilma, prender e impedir Lula de voltar a ser presidente do Brasil, abrindo caminho para a vitória de Jair Bolsonaro e o projeto por ele representado.

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Nunca me iludi com o papel desses sujeitos, mas agora está evidente para toda a população que Lula é inocente e vítima de um “grande acordo nacional, com Supremo, com tudo”. Nos diálogos revelados pelo Intercept o então Juiz Sérgio Moro dá dicas, orienta a investigação, antecipa decisão, vaza informações para a imprensa e sugere ao Ministério Público que faça nota para contestar a defesa de Lula. Tudo isso é a prova que Moro coordenou a investigação, quando sua atribuição era de julgar, conforme estabelece a Constituição Federal e o Código de Processo Penal. De acordo com o ordenamento jurídico brasileiro, o juiz tem que atuar no processo de forma imparcial, ou seja, não pode agir em acordo e nem para beneficiar uma das partes.

O jornalista Glenn Greenwald afirma que os fatos vindos a público até o momento são só o começo de um grande esquema fraudulento para condenar e prender Lula. O Intercept afirma que seguirá divulgando com detalhes todo o material que recebeu sobre o conluio montado por Moro e Dallagnol.

Se o Brasil quer ser levado a sério, deve imediatamente exigir que a sentença de Lula seja anulada, pois sentença proferida por juiz parcial é nula de pleno direito. Lula tem que ser solto imediatamente.

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Moro tenta a qualquer custo se esconder atrás da Rede Globo, mas ele deveria ser exonerado e Dallagnol afastado.

O país não pode ter um ministro da Justiça que violou regras e princípios da Constituição Federal e do Processo Penal para condenar um inocente, pelo fato de ser seu adversário político. É lamentável e inaceitável que o Supremo Tribunal Federal tenha permitido que uma parte do judiciário brasileiro tenha cometido ilegalidades e crimes para favorecer um projeto político, que visa a venda dos nossos recursos naturais, do patrimônio do povo brasileiro, do ataque à soberania e à democracia.

Lembremos que o STF nada fez quando Moro ordenou a condução coercitiva de Lula, sem que ele tenha se negado a prestar depoimento, tampouco quando Moro vazou de forma ilegal para a Rede Globo conversas telefônicas entre a presidenta Dilma e o ex-presidente Lula, com o notório propósito de impedir a efetivação de Lula como ministro-chefe da Casa Civil.

Por tudo isso, não nos cabe ficar em casa torcendo para que o STF declare nula a sentença que condenou Lula. Diante das provas incontestes, reveladas ao Brasil e ao mundo, é preciso intensificar as mobilizações e exigir a soltura de Lula. Lula Livre Já!