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19 de junho de 2019, 17h11

Moro no Senado: “Se houver irregularidade, eu saio do cargo”

O ex-juiz da Lava Jato e agora ministro da Justiça é sabatinado na CCJ desde a manhã, repetindo respostas visando desqualificar a Vaza Jato

Foto: Pedro França/Agência Senado
O ministro da Justiça, Sérgio Moro, disse nesta quarta-feira (19) a senadores que não se agarra ao cargo e que, se comprovadas irregularidades de sua parte frente à operação Lava Jato, pedirá demissão. Moro é sabatinado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado sobre as conversas vazadas pelo site The Intercept Brasil entre ele e o promotor chefe da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, que indicam que o então juiz da operação coordenou as ações do Ministério Público (MP). “Não tenho apelo pelo cargo em si. O site que mostre tudo, todas as conversas, e se houver irregularidade,...

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, disse nesta quarta-feira (19) a senadores que não se agarra ao cargo e que, se comprovadas irregularidades de sua parte frente à operação Lava Jato, pedirá demissão. Moro é sabatinado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado sobre as conversas vazadas pelo site The Intercept Brasil entre ele e o promotor chefe da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, que indicam que o então juiz da operação coordenou as ações do Ministério Público (MP).

“Não tenho apelo pelo cargo em si. O site que mostre tudo, todas as conversas, e se houver irregularidade, eu saio do cargo” disse Moro ao responder o senador Jaques Wagner (PT-BA), que havia questionado se ele cogitava deixar o Ministério da Justiça.

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Desde o início da sabatina, pela manhã, Moro seguiu repetindo a mesmo discurso, pedindo que o site e os jornalistas responsáveis publiquem e entreguem as conversas obtidas por meio “ilegal”, segundo ele. Também repetiu que o que Glenn Greenwald, diretor do Intercept, e sua equipe fazem, seria sensacionalismo, o que foi criticado pelo senador petista.

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“Vossa excelência fala tanto em sensacionalismo; é sensacionalista divulgar os áudios da ex-presidente Dilma Rousseff? É sensacionalismo praticamente colocar no pelourinho a dignidade de pessoas das quais deveria ser mantido o sigilo que muitas vezes são julgadas pelo público?”, questionou Wagner, mencionando o caso da Escola Base, que foi informalmente condenada publicamente e posteriormente inocentada de uma acusação de abuso sexual infantil.

Para Moro, as mensagens mostradas até agora são “completamente normais”, embora ele tenha afirmado que não pode reconhecer a autenticidade do material revelado pelo site. Mais cedo, o ex-juiz disse não lembrar das mensagens mencionadas nas reportagens e que não poderia recuperá-las dos servidores por já haver apagado o aplicativo há mais de um ano, sendo desmentido.

O senador Weverton Rocha (PDT-MA), por sua vez, questionou o fato de o ministro repetidamente atacar o caráter das mensagens vazadas, ao invés de contestar seu conteúdo. “No seu pacote anticorrupção o senhor apoiou o uso de provas obtidas por meio ilícitos; por que agora as provas ilícitas de seus diálogos não valem?”, questionou o senador.

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Outro colega de partido de Rocha, Cid Gomes sinalizou com a abertura de uma CPI no Senado para investigar as denúncias apresentadas pela Vaza Jato.

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