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04 de agosto de 2016, 15h49

Moro recusa responder perguntas sobre escutas telefônicas e condução coercitiva de Lula

Ao ser confrontado pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS) sobre as escutas ilegais da presidenta Dilma Rousseff e a condução coercitiva do ex-presidente Lula, Moro se limitou a dizer “não vou comentar casos concretos” Por Redação O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas investigações da Operação Lava Jato, participou de um debate nesta quinta-feira (4) da primeira audiência pública da comissão especial  da Câmara dos Deputados criada para analisar o projeto anticorrupção. O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) fez uma fala criticando a seletividade da Justiça brasileira como no caso conhecido como Banestado e a falta de medidas de combate à corrupção contra...

Ao ser confrontado pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS) sobre as escutas ilegais da presidenta Dilma Rousseff e a condução coercitiva do ex-presidente Lula, Moro se limitou a dizer “não vou comentar casos concretos”

Por Redação

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas investigações da Operação Lava Jato, participou de um debate nesta quinta-feira (4) da primeira audiência pública da comissão especial  da Câmara dos Deputados criada para analisar o projeto anticorrupção.

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) fez uma fala criticando a seletividade da Justiça brasileira como no caso conhecido como Banestado e a falta de medidas de combate à corrupção contra juízes e procuradores que vendem sentença.

“Seletividade que permite que a imprensa e a Justiça não tenha cobrado na época da investigação do Banestado tanta eficiência, tanto rigor, tanta punição como nós gostaríamos que ele tivesse em todos os casos e não só em alguns”, disse o deputado.

Paulo Pimenta seguiu seu raciocínio criticando as atitudes de Sérgio Moro ao divulgar as escutas telefônicas do ex-presidente Lula e a presidenta afastada Dilma Rousseff.

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“Quando se fala da legislação americana, imagina presidente [da comissão], se um juiz de primeira instância de um Estado dos Estados Unidos captasse de maneira ilegal uma conversa telefônica entre o Bill Clinton e o Obama e jogasse nas redes de televisão? Qual teria sido a atitude da Justiça?”, questionou.

O petista usou também como exemplo a condução coercitiva do ex-presidente Lula pela Operação Lava Jato a pedido de Sérgio Moro.

“Ou uma condução coercitiva sem necessidade de um ex-presidente  da República para gerar manchetes e fatos denunciadas inclusive por ministros do Supremo Tribunal Federal como excessivas e desnecessárias”, completou.

Na época , o ministro Marco Aurélio Mello fez críticas duras à atitude de Moro.“Condução coercitiva? O que é isso? Eu não compreendi. Só se conduz coercitivamente, ou, como se dizia antigamente, debaixo de vara, o cidadão que não resiste e não comparece para depor. E o Lula não foi intimado”, argumentou.

Segundo ele, a justificativa de Sergio Moro de que a condução foi realizada para assegurar a segurança de Lula não é convincente. “Será que ele [Lula] queria essa proteção? Eu acredito que na verdade esse argumento foi dado para justificar um ato de força”, disse.

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Moro se recusou a responder o deputado Paulo Pimenta e disse que seu tempo havia acabado.

“Ouvi as questões do deputado Paulo Pimenta e não vou comentar casos concretos e infelizmente meu tempo acabou e vou pedir escusas mais uma vez aos senhores parlamentares e as senhoras parlamentares”, concluiu.

O juiz Sérgio Moro foi à Câmara para defender as 10 medidas contra a corrupção – projeto (PL 4850/16) que está em análise em uma comissão especial da Câmara. Ele endossou o projeto e pediu a aprovação das medidas. “Claro que essa Casa tem a prerrogativa de debatê-lo, mas, nesse contexto, queremos que o Congresso faça sua parte e se junte a outras instituições no combate à corrupção”, disse.

Além de defender o PL, Moro criticou o foro privilegiado, o qual ele também é beneficiário,segundo o juiz isso “fere a ideia básica da democracia de que todos devem ser tratados como iguais. Não existe razão para salvaguardas”.

Foto de Capa: Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados

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