Blog do George Marques

direto do Congresso Nacional

17 de junho de 2019, 12h50

Moro terá prova de fogo no Senado na quarta às vésperas de novas revelações pelo Intercept

Articulação para ida de Moro ao Senado é estratégia para evitar CPI sobre diálogo com Lava Jato; Ministro fez cálculo para diminuir desgaste com uma possível convocação após vazamento de mensagens

O ex-juiz Sérgio Moro, que insiste na narrativa de que hackers obtiveram e adulteraram suas conversas (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, promete ir à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado na próxima quarta-feira (19) para prestar esclarecimentos sobre o conteúdo vazado pelo The Intercept Brasil às vésperas de novas revelações. A gravidade dos vazamentos mostram o então juiz confabulando com o Ministério Público em diversos momentos, como quando Moro sugeriu ao MP uma testemunha ou quando mandou procuradores atacarem defesa de Lula após depoimento de caso triplex.

Na quarta Moro deve reforçar aos parlamentares que a divulgação feita pelo Intercept faz parte de uma orquestrada operação de ataque à Lava-Jato. Jogando nesse terreno, evita-se que seja avaliado o comportamento pra lá de suspeito.

Nas conversas divulgadas até agora o então juiz da Lava Jato troca colaborações com Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa, o que é vetado por lei. Segundo o site, as mensagens foram enviadas à reportagem por fonte anônima e se referem ao período de 2015 a 2018.

Um juiz atento às conversas e ao julgamento de outro caso polêmico, o mensalão, o então ministro Joaquim Barbosa, lembra que qualquer que tenha sido o crime cometido por Lula, ele teria direito ao menos de ser julgado por um juiz imparcial e não por um militante da direita raivosa.

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“Ninguém nunca levantou suspeita sobre Joaquim Barbosa no julgamento do mensalão. Foi justo, imparcial, não orientou a acusação”, relembrou.

A ida de Moro ao Senado foi pensada para evitar, ao menos por agora, uma CPI com foco no ministro. Senadores avaliam que a conta de Moro tem tudo para resultar num saldo positivo na quarta. Entendem que o ministro tem gordura de apoio popular para queimar e apostam que não haverá nomes para constrangê-lo.

Se Moro se sair bem no Senado, se sustenta mais um pouco no cargo até que novas revelações de seu comportamento como juiz apareçam. A bala de prata, segundo um congressista ouvido pelo blog, pode vir caso apareça um áudio da época da campanha com Moro articulando cargo de ministro no governo Bolsonaro. “Aí a situação se agrava, pois além de colocar o governo no olho da crise mostra que o juiz tinha um objetivo de claro de assumir um cargo no novo governo”, diz.

A conferir cenas dos próximos capítulos.

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