Blog do Rovai

21 de junho de 2019, 09h30

Moro utiliza revista Isto É para ameaçar com a PF o The Intercept e as reportagens da Vaza Jato

A reportagem sustenta que Polícia Federal “planeja-se para, nas próximas semanas, tentar emitir uma contundente resposta ao que classifica de ação orquestrada perpetrada por criminosos de alto calibre.”

A revista Isto É desta semana publica uma reportagem repleta de ameaças baseadas em supostas investigações da Polícia Federal que poderiam, segundo o jornalista que assina o texto, mudar o curso das investigações da Vaza Jato.

O texto termina com a seguinte frase: “Quem acompanha as investigações assegura: se os indícios encontrados até agora se confirmarem, a PF estará bem perto mudar o rumo do rumoroso episódio que monopolizou as atenções dos brasileiros nas últimas semanas.”

O texto é assinado por Germano Oliveira, que publicou no seu Facebook uma foto dele com outros quatro jornalistas quando Lula foi preso. Na foto, ele dizia que estes profissionais teriam feito a diferença para que o ex-presidente fosse encarcerado.

Germano sempre foi tratado pela Lava Jato como um dos porta vozes informais da operação. E usou e abusou de “indícios” para acusar Lula e outros petistas. Quando trabalhava no jornal O Globo, Germano informou aos seus leitores que Lula passaria o revellion na cobertura do apartamento do Guarujá, que sequer estava pronto.

Na foto, da esquerda para a direita: Vladimir Neto, da TV Globo; Ricardo Brandt, do Estadão; André Guilherme, do Valor; Germano Oliveira, da Isto É; e Flávio Ferreira, da Folha de S. Paulo.

A reportagem da Isto É

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No texto da Isto É germano diz pérolas como: “O constrangimento ao qual foram expostos os integrantes da Lava Jato e o ex-juiz que se tornou símbolo do combate à corrupção no País pode mudar de lado.” Mas o mais simbólico são as ameaças implícitas.

Ele sustenta que a Polícia Federal “planeja-se para, nas próximas semanas, tentar emitir uma contundente resposta ao que classifica de ação orquestrada perpetrada por criminosos de alto calibre.”

E diz que a coordenação desta “contundente reposta” seria do diretor-geral Maurício Valeixo.

Germano Oliveira  ainda regista que em investigações preliminares, os agentes da Polícia Federal já identificaram “conexões no Brasil, em especial em Santa Catarina, e no exterior, com o suposto envolvimento de agentes na Rússia e até em Dubai, nos Emirados Árabes”.

Segundo esses agentes, que teriam sido ouvidos por ISTOÉ, ou seja, pelo jornalista que fez a diferença para a prisão do Lula, se a PF alcançar os responsáveis pelo hackeamento ilegal,  isso se “constituiria uma bomba capaz de provocar uma reviravolta no caso”.

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Germano Oliveira não apresenta uma única fonte em on ou sequer qualquer documento para sedimentar sua reportagem. Mas reforça a linha dos ataques bolsonaristas via whatsapp às reportagens do The Intercept. A principal fonte da reportagem foi o perfil fake “Pavão Misterioso”, que provavelmente foi criado por Carlos Bolsonaro ou por sua turma.

Registra no texto que as pistas da principal linha de investigação levam à Rússia, onde reside o americano Edward Snowden, “notório aliado do jornalista Glenn Greenwald, dono do site The Intercept Brasil”.

O que Germano Oliveira chama de “notório aliado” em bom jornalismo costuma ser denominado de fonte. Foi Snowden quem, em 2013, passou as informações que renderam a Gleen Greenwald o prêmio Pulitzer de jornalismo.

Já para Germano Oliveira, Snowden é supeito porque “se aproximou dos irmãos bilionários Nikolai e Pavel Durov, que criaram o Telegram, um sistema de comunicação por mensagens similar ao Whatsapp”. O Telegram foi usado pelos procuradores para o conluio que levou Lula a prisão. Isso não está na reportagem da Isto É. Aliás, nem isso nem uma linha das troca de mensagens.

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A reportagem, baseando-se em correntes de WhatsApp, ainda fala do criador de um vírus que é procurado pelo FBI americano por crimes cibernéticos. “Um rastreamento identificou que Slavic ou “lucky12345”, como é conhecido, teria recebido US$ 308 mil em bitcoins (a moeda virtual). Resta saber se o depósito foi realmente a contrapartida financeira por ele ter participado do processo de quebra do sigilo telefônico dos procuradores”.

A maluquice não tem nada, um único documento. Mas serve de alimento para novas correntes de WhatsApp. E mais do que isso, serve de ameaça para quem está trabalhando nos dados que podem mudar o curso da Operação Lava Jato e demonstrar toda a farsa e sua seletividade. O resumo da reportagem, ao fim e ao cabo, é: A PF, comandada por Moro, pode ser usada para criminalizar o jornalismo.

 

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