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23 de junho de 2019, 23h00

Mortes de inocentes são 34 vezes maior que de criminosos por legítima defesa, aponta estudo

Relatório de ONG norte-americana analisa estatísticas do FBI para homicídios ocorridos nos EUA e mostra argumento usado por Bolsonaro é falho

(Arquivo/Agência Brasil)
“Muitas falácias sendo usadas a respeito da posse de armas. A pior delas conclui que a iniciativa não resolve o problema da segurança pública. Ignorando o principal propósito, que é “iniciar ” o processo de assegurar o direito inviolável à legítima defesa”, afirmava Jair Bolsonaro em 19 de janeiro, defendendo a tese de que mais “cidadãos de bem” armados gerariam medo nos criminosos, e assim, diminuiria as mortes de inocentes. O argumento é repetido no Twitter pelo trio de filhos Bolsonaro. “O Brasil é recordista mundial de homicídios cometidos com arma de fogo. É inacreditável como alguns ainda defendem o...

“Muitas falácias sendo usadas a respeito da posse de armas. A pior delas conclui que a iniciativa não resolve o problema da segurança pública. Ignorando o principal propósito, que é “iniciar ” o processo de assegurar o direito inviolável à legítima defesa”, afirmava Jair Bolsonaro em 19 de janeiro, defendendo a tese de que mais “cidadãos de bem” armados gerariam medo nos criminosos, e assim, diminuiria as mortes de inocentes.

O argumento é repetido no Twitter pelo trio de filhos Bolsonaro. “O Brasil é recordista mundial de homicídios cometidos com arma de fogo. É inacreditável como alguns ainda defendem o modelo falido que nos levou até essa vergonha – aí incluída toda a restrição ao cidadão ordeiro de ter uma arma para se defender. Os marginais agradecem!”, manifestou o senador Flávio Bolsonaro, o 01, em sua conta no Twitter na última quarta-feira (19). O discurso também apoiado por grupos conservadores como a bancada ruralista do Congresso.

A postagem veio após a derrota imposta pelo Senado ao governo ao derrubar o decreto que estendia o porte de arma para um conjunto de profissões, como advogados, caminhoneiros, políticos eleitos e até jornalistas.

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A maior parte dos estudos científicos, no entanto, são contrário à tese. Relatório do Violence Policy Center, grupo de defesa ao controle de armas nos EUA, revela que para cada morte ‘justificada’, ocorreram em 2015 nos EUA 34 mortes por crimes comuns.

A entidade criada em 1988 compara desde 2010 os números do FBI de “assassinatos justificáveis” com o de homicídios criminais. O FBI, similar norte-americano da Polícia Federal, define “homicídio justificável” como o assassinato de um criminoso durante a execução de um crime por um cidadão particular.

Em 2015, ano do último levantamento dos dados pela polícia norte-americana, foram cometidos 9.027 homicídios comuns nos EUA. No mesmo período foram 265 mortes por legítima defesa.

Já dados do CDC (Centro de Controle de Doenças) no país apontam que em 2016 foram cometidos 22.938 suicídios com o uso de armas de fogo. Ou seja, para cada criminoso morto em legítima defesa, 86 inocentes tiraram a vida com uma arma de fogo à sua disposição.

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Além disso, reportagem do jornal The Washington Post aponta que dados do CDC mostram que houve mais do que o dobro de mortes acidentais por manuseio de armas de fogo do que mortes justificáveis.

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