Ato contra Bolsonaro em SP pode reunir Lula e Ciro Gomes

Líder da campanha Fora Bolsonaro informou à Fórum que há expectativas sobre participação do petista na manifestação em 2 de outubro, que já tem presença confirmada do pedetista; Boulos e Haddad comparecerão

Lula e Ciro Gomes. Foto: ReproduçãoCréditos: Ricardo Stuckert / Twitter
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A mobilização contra o presidente Jair Bolsonaro marcada por partidos, sindicatos e movimentos sociais para o dia 2 de outubro pode proporcionar uma cena que não se via há muito tempo: o ex-presidente Lula (PT) e o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) dividindo um palanque.

Ciro informou que comparecerá nos atos do Rio de Janeiro e São Paulo, “não importa quem esteja ali”.

“Acho que temos que punir Bolsonaro pelos crimes que ele cometeu. Por isso estou na luta pelo impeachment e vou estar nas ruas no Rio de Janeiro e em São Paulo. Não importa quem esteja ali. Temos que unir os democratas brasileiros. Nossa democracia está ameaçada”, declarou em entrevista a José Luiz Datena nesta quinta-feira (23).

O protesto da capital paulista deve ser o maior entre os atos do dia 2 de outubro e terá início a partir das 13h no vão livre do Masp, na avenida Paulista.

A presença de Lula na manifestação de São Paulo, até a última semana, quando foi definida a data do ato, ainda era dada como incerta. Na ocasião, a assessoria de imprensa do ex-presidente informou à Fórum que não havia definição sobre sua participação.

Raimundo Bonfim, que é coordenador da Central de Movimentos Populares (CMP) e um dos líderes da Campanha Nacional Fora Bolsonaro, afirmou à reportagem nesta quinta-feira (23), no entanto, que há expectativas de que Lula compareça, sim, no ato da capital paulista.

“Já há consenso da importância de Lula participar do ato do dia 2 de outubro. A expectativa é que ele participe”, revelou o dirigente.

O próprio petista já adota um tom de convocação para essas manifestações pelo impeachment de Bolsonaro. “Não acredito que o Lira coloque o impeachment em votação, a não ser que haja muita pressão da sociedade. Por isso, temos de ir para a rua, temos que fazer pressão”, disse na última sexta-feira (17) em entrevista à rádio Sagres, de Goiás.

Outras lideranças políticas já marcaram presença na manifestação de São Paulo, entre elas o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) e o líder social Guilherme Boulos (PSOL) – ambos são pré-candidatos ao governo do estado.

Os movimentos sociais esperam ainda a presença do governador do Maranhão, Flávio Dino (PSB). A assessoria de imprensa do mandatário estadual, entretanto, disse à Fórum que ainda não há definição sobre o assunto.

Reunião de partidos pelo Fora Bolsonaro

No dia 15 de setembro, partidos de oposição e centro se reuniram na Câmara dos Deputados e criaram um comitê pró-impeachment que vai unificar ações contra Jair Bolsonaro.

Na reunião entre parlamentares, que contou com a presença de lideranças do PT, PDT, PSB, PSOL, PCdoB, Rede, PV, Cidadania e Solidariedade, ficou estabelecida a adesão de todas essas legendas às manifestações contra Bolsonaro marcadas para o dia 2 de outubro e 15 de novembro.

Os partidos se unirão à Campanha Nacional Fora Bolsonaro, que agrega movimentos populares e entidades da sociedade civil, para mobilizações conjuntas, que vêm após o ato esvaziado do Movimento Brasil Livre (MBL) no último dia 12 que contou com a presença de alguns representantes de segmentos de esquerda e centro-esquerda.

Ciro Gomes esteve presente no ato do MBL. Já o ex-presidente Lula, assim como representantes do PT, não compareceram, tendo em vista que a manifestação tinha com um dos motes “Nem Lula, nem Bolsonaro”.

Uma possível união entre Lula, Ciro e outros “defensores da democracia” vem sendo defendida por parlamentares de esquerda como Alexandre Padilha (PT-SP) e Marcelo Freixo (PSB-RJ).

“Politica é igual feijão, só cozinha na pressão. Só um movimento amplo, realmente comprometido com quem sempre lutou pela democracia no Brasil pode fazer a pressão necessária pra deslocar a base parlamentar cimentada pelo orçamento secreto de Bolsonaro”, afirmou Padilha à Fórum na última semana.  

“Seria muito importante. Eu acho que se a gente puder ter FHC, Ciro, Lula, PSDB, acho muito importante. E lá para a frente, na eleição, cada um vai estar em um lugar ou alguns vão estar mais próximos. Faz parte. Não é um processo eleitoral, é uma defesa para que a gente tenha eleição”, disse Freixo, por sua vez, ao portal UOL após a reunião entre partidos.

Os atos de 2 de outubro farão parte da sexta grande mobilização deste ano contra o atual presidente organizadas pela Campanha Nacional Fora Bolsonaro.

“O desemprego, a carestia dos alimentos, a fome e a miséria estão aumentando no nosso país, e a solução é a derrubada deste governo genocida, a cada dia mais impopular, mais isolado, mais autoritário”, afirma Raimundo Bonfim.