ENERGIA

FUP: Estudo mostra os trabalhadores mais afetados pela transição energética

Objetivo da pesquisa é fornecer subsídios para políticas e estratégias que alinhem transição justa com futuro do trabalho no setor energético

Petroleiros.Créditos: FUP
Escrito en MOVIMENTOS el

Quantos e quem são os trabalhadores mais diretamente afetados pela transição energética na cadeia de valor do petróleo e gás?  Com base nessa pergunta, estudo inédito do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em parceria com a Federação Única dos Petroleiros (FUP) e o Instituto Clima e Sociedade (iCS),  busca traçar o perfil desse contingente de mão de obra. O objetivo é fornecer subsídios para a formulação de políticas e estratégias que alinhem a transição energética justa com o futuro do trabalho no setor energético, explica o economista do Dieese, Cloviomar Cararine. A pesquisa foi lançada nesta quinta-feira, 13, na COP 30, que acontece em Belém, no Pará.  

A cadeia de valor do O&G é grande e diversificada, gerando mais de 800 mil empregos formais ao final de 2024 (segundo dados da RAIS, do Ministério do Trabalho e Emprego, elaborados pelo Dieese), a maior parte no segmento do Comércio (66,5%), seguido pela Petroquímica (11,4%), E&P (7,7%), Transformação (5,5%), Refino (4,9) e Transporte (3,9%.). A pesquisa não considera os empregos informais da cadeia. 

O total de empregos formais no setor equivale ao tamanho da população de cidades como São Bernardo do Campo, uma das maiores do interior paulista, ou Uberlândia, em Minas Gerais. Essa mão de obra se concentra no eixo Sul-Sudeste (sobretudo nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro), e na Bahia.

A representatividade do setor está também na expressiva participação de 11% no PIB industrial brasileiro e na oferta de empregos mais qualificados que a média do conjunto das atividades econômicas do país - sobretudo se desconsiderarmos a ponta da cadeia, o comércio de combustíveis. Partindo dessa perspectiva, o setor O&G oferta postos de trabalho que exigem maior escolaridade, possuem melhor remuneração e vínculos mais duradouros.

“Contudo, os dados também revelam grande heterogeneidade entre os segmentos da cadeia de valor do óleo e gás. Ou seja, E&P e Refino se destacam pela maior qualidade dos seus vínculos de trabalho, além da maior presença de trabalhadores mais velhos e jornadas menores. Já o Comércio, o maior empregador da cadeia, é marcado por condições de trabalho muitas vezes piores que a média nacional, com 70% do pessoal ganhando até dois salários mínimos”, ressalta Cararine.

A pesquisa observa grande participação da iniciativa privada na cadeia de O&G, com exceção do E&P, Refino e Transportes, onde predomina a presença da Petrobrás – segmento caracterizado pela alta remuneração, com metade da categoria ganhando mais de 10 salários mínimos, com trabalhadores mais velhos e jornadas menores.

O pesquisador do Dieese constata também o predomínio da mão de obra masculina na cadeia de valor - superior à média das atividades em nível nacional - e  jornadas de trabalho acima de 40 horas semanais, na maior parte dos segmentos do setor.

“O debate em torno da transição energética justa passa prioritariamente pela questão do trabalho”, diz o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar. Segundo ele, pesquisas como essa são essenciais para se conhecer melhor o trabalhador brasileiro e garantir seus direitos em meio ao processo de mudança para uma economia de baixo carbono.

Percepção dos trabalhadores 

A pesquisa do Dieese/FUP/iCS fez também um levantamento da percepção das lideranças sindicais petroleiras sobre a transição energética no Brasil, o futuro do setor de óleo e gás e o aquecimento global. Cerca de 75,5% dos entrevistados acredita que o aquecimento global e as mudanças climáticas são hoje um dos maiores problemas da humanidade. Porém, a mesma proporção de entrevistados acha que o mundo deveria continuar explorando e produzindo mais petróleo e gás natural, até que se desenvolva melhor as alternativas energéticas .

Cerca de 83% das respostas foram favoráveis à exploração da Margem Equatorial, na Bacia da Foz do Amazonas. A maior parte das justificativas (47,7%) aponta para a necessidade de geração de recursos para o Brasil realizar a transição energética. 

Sobre o impacto nos empregos, no caso de redução da produção de óleo e gás no país em função da transição energética, 43,3% das respostas,- (a maior concentração), acredita na realocação do emprego em outros setores energéticos.

 

Reporte Error
Comunicar erro Encontrou um erro na matéria? Ajude-nos a melhorar