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23 de janeiro de 2020, 23h09

“A extinção da Petrobras é uma questão de tempo”, alerta petroleira

Trabalhadores da Petrobras estão mobilizados contra o desmonte que vem sendo promovido pelo governo Bolsonaro, que envolve demissões em massa, e preparam uma greve nacional; saiba mais

Foto: Ana Maria Miranda

A categoria dos petroleiros está em plena mobilização contra o desmonte da Petrobras que vem sendo promovido pelo governo de Jair Bolsonaro. O alvo da vez é a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR). Na última semana, a atual gestão da empresa informou que a fábrica seria fechada, o que deve levar à demissão de mais de mil trabalhadores.

Diante de mais esse ataque contra a Petrobras enquanto empresa pública e nacional, para além do ataque direto aos trabalhadores, petroleiros têm realizado atos por todo o país, inclusive ocupando a própria Fafen. Além disso, eles preparam uma greve nacional a ser deflagrada em 1º de fevereiro.

“É mais uma decisão [o fechamento da Fafen] que a gente considera inadequada e uma decisão política. Nós somos um país agrícola, e a gente precisa dos fertilizantes”, disse líder sindical Rosângela Torres, do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF). Ela e Tezeu Bezerra, também do Sindipetro-NF, participaram do programa Fórum Sindical desta quinta-feira (23), exibido ao vivo pelo canal da Fórum no YouTube.

“A empresa tem argumentado que pelo simples fato de ter chamado o sindicato pra avisar que ia demitir todo mundo, ela acha que está cumprindo o acordo coletivo”, disse Tezeu Bezerra, destacando que não houve qualquer tipo de acordo com os trabalhadores e nem proposta de realocação diante do fechamento da fábrica.

Na entrevista, Tezeu e Rosângela destacaram que a atual diretoria da Petrobras, diante das recorrentes mobilizações dos petroleiros, tem perseguido e coagido os trabalhadores. “Existe uma coação para que essa linha de liderança, seja técnica, seja de gestão, esteja alinhada à alta direção, ou ela perde aquela função”, explicou Rosângela. “Existe um ambiente de assédio, de ditadura, com a parte da liderança que, além de ter que se alinhar com a alta gestão, têm que influenciar os trabalhadores para que não se engajem na luta. É um clima muito pesado, como nunca vimos”, completou.

“Esses caras não são nacionalistas, não têm compromisso nenhum com o país”, pontuou Tezeu.

“A gente tem esse discurso tão atrasado de que o problema é o trabalhador, o direito do trabalhador, o funcionário público. Da onde vem o Paulo Guedes? Vem dos bancos, dos fundos rentistas e eles não têm a vergonha de dizer que, em uma empresa como a Petrobras, o povo não é mais acionista majoritário. É sim. Nós ainda temos o controle dela. Mas eles não querem esse sócio majoritário”, afirma Rosângela, destacando que o desmonte na empresa, com a venda de subsidiárias, faz parte de um plano maior de privatização.

“Esse desmote, a Fapem, não é o primeiro. A gente já tem casos a caminho da privatização, da venda, e não vai parar por aí. Estamos à beira de perder a própria preferência de escolha nos leilões. O investimento nesta área, para explorar e produzir, já está extremamente reduzido. A extinção da empresa é uma questão de tempo”, alertou.

Tadeu, no entanto, chama a atenção para a força da mobilização dos trabalhadores na preparação da greve. “Se eles pensam que os trabalhadores vão recuar diante dessa opressão que eles estão fazendo, o efeito vai ser inverso.”

Assista à íntegra do programa.


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