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27 de maio de 2020, 23h14

Argentinas convocam mobilização virtual pelo aborto livre

Campanha pelo Direito ao Aborto no país completará 15 anos, neste dia 28 de maio, e movimento feminista não quer deixar a data passar batida, apesar das reuniões massivas estarem proibidas por causa da quarentena

Feministas argentinas em ato pelo aborto (Arquivo)

Nos últimos anos, as feministas argentinas têm mostrado ser das mais bem organizadas do mundo, realizando massivas manifestações, a favor do aborto livre ou contra a violência de gênero. Porém, a quarentena impede que elas voltem a mostrar esta força nas ruas esta semana.

Por isso, o Movimento Feminista argentino convocou uma mobilização virtual nesta quinta-feira (28), para recordar que a Campanha Nacional pelo Direito ao Aborto Legal, Seguro e Livre completa 15 anos.

A data que certamente levaria milhões de mulheres às ruas, como aconteceu com alguma frequência em 2018 e 2019, e também no último dia 8 de março. Porém, as reuniões massivas estão proibidas no país devido à quarentena, e as próprias organizações feministas são conscientes de que o momento não é para ir às ruas.

No entanto, esse a ideia é não deixar que essa situação impeça a mobilização, da forma que seja, em favor da aprovação do Projeto de Lei sobre Interrupção Voluntária da Gravidez. “Nos rebelamos contra as políticas que buscam disciplinar nossos corpos, governar nossas biografias e biologizar o exercício de nossas identidades” afirmam, em publicações nas redes sociais para organizar o evento, de deverá contar com tuitaços, panelaços e outros tipos de manifestações que não violem a quarentena.

“Em 15 anos de campanha nas ruas e no Congresso, fortalecendo redes em diferentes territórios, por um projeto de lei que contempla a realidade e os direitos das pessoas que são criminalizadas e colocam suas vidas e sua saúde em risco quando decidem abortar”, diz outro material da campanha.

O projeto pelo direito ao aborto na Argentina que já tramitou em diversas versões no Legislativo do país, desde o ano de 2005. Em 2018, teve o seu maior avanço, ao ser aprovado na Câmara. Porém, agora conta com um apoio decisivo: o presidente Alberto Fernández se declarou favorável à iniciativa, e tem instruído a bancada governista a votar a favor da proposta.

O apoio é inédito, o que é curioso, já que não existiu quando o país foi governado por uma mulher: Cristina Kirchner, em seus oito anos de mandato, entre 2007 e 2015, jamais apoiou a proposta, mas hoje, como presidenta do Senado, disse que votará a favor.


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