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01 de maio de 2019, 17h13

Ato unificado do 1º de Maio em SP reúne 200 mil pessoas e dá o tom da greve geral

“Aqui começa a luta que vai barrar a reforma da Previdência. No dia 14 de junho o Brasil vai parar", anunciou Guilherme Boulos no ato unificado das centrais sindicais e movimentos populares que marca o 1º de Maio no Vale do Anhangabaú (SP)

Foto: Rodrigo Pilha

Desde a manhã desta quarta-feira (1º), data que marca o Dia do Trabalhador, centenas de milhares de pessoas se reúnem no Vale do Anhangabaú, centro de São Paulo (SP), no ato unificado das centrais sindicais e movimentos populares. Essa é a primeira vez que dez centrais fazem uma manifestação de 1º de Maio conjunta.

A aproximação das centrais sindicais de diferentes correntes políticas é resultado de uma luta em comum: a oposição ao projeto de reforma da Previdência do governo de Jair Bolsonaro.

Durante a parte da manhã e início da tarde, líderes de partidos políticos, movimentos populares e sindicatos fizeram falas denunciando os prejuízos que a reforma da Previdência acarretará aos trabalhadores e convocando a população para uma greve geral programada para junho contra o projeto.

“Aqui começa a luta que vai barrar a reforma da Previdência. No dia 14 de junho o Brasil vai parar contra esse projeto que quer destruir a Previdência pública. Eles não querem enfrentar privilégios, isso é mentira. Eles estão atacando direitos”, afirmou o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e líder da Frente Povo Sem Medo, Guilherme Boulos.

Foto: Roberto Parizotti/CUT

De acordo com Boulos, a já aprovada reforma trabalhista está diretamente ligada à da Previdência. “Ela retirou arrecadação do sistema previdenciário”, afirmou, citando ainda outro “efeito econômico perverso” da proposta. “Setenta por cento dos municípios têm como principal fonte econômica os benefícios da aposentadoria.” Para ele, “desmontar” o sistema significa “jogar à própria sorte dezenas de milhões de pessoas”.

O ex-prefeito e ex-ministro da Educação, Fernando Haddad (PT), oponente de Bolsonaro no segundo turno da última eleição presidencial, também marcou presença no ato das centrais e avaliou que a política econômica do atual governo é mesma adotada por Michel Temer.

“Não há nenhuma diferença entre o que o Bolsonaro faz e o que o Temer tentou fazer. É a mesma agenda econômica. Corte de direito social, direito trabalhista, direito previdenciário. É um governo antipopular e antinacional”, pontuou.

Fernando Haddad no ato de 1º de Maio em SP (Foto: Roberto Parizotti/CUT)

Em sua fala, Haddad, além das críticas direcionadas ao governo Bolsonaro, ainda citou o ex-presidente Lula, preso em Curitiba há mais de um ano. “Nós não vamos ter paz e justiça enquanto Lula estiver preso”, afirmou.

Carlos Lupi, presidente do PDT, foi mais um dos políticos do campo progressista que se uniu às centrais sindicais contra a reforma da Previdência. “Temos que ter unidade na causa. E Bolsonaro está conseguindo isso”, disparou.

Sindicalistas 

Líderes das centrais sindicais, durante o ato, mostram-se em sintonia quanto à pauta da Previdência.

“A briga é muito dura. Temos condições de barrá-la (a proposta governista). Mas eles também têm condições de aprovar. Precisamos convencer a opinião pública a pressionar os deputados”, disse Vagner Freitas, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Já o presidente da Central dos Trabalhadores Brasileiros (CTB), Adilson Araújo, citou dados de lucros de bancos e indicadores econômicos e disparou: “Esses dados são reveladores de que quem está pagando a conta da crise é a classe trabalhadora”.

“É um governo desqualificado, despreparado, sem um projeto para o país”, completou o sindicalista.

Após a parte política, o ato seguiu, no início da tarde, com as atrações musicais, começando por Leci Brandão, que prestou uma homenagem a sambista Beth Carvalho, falecida nesta terça-feira (30).

Acompanhe o ato ao vivo.

*Com informações da Rede Brasil Atual e Brasil de Fato 


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