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09 de julho de 2020, 21h38

Bancários da Caixa fazem mobilização contra privatização

Ação desta quinta-feira (9) faz parte de movimento contra agenda privatista do governo e conta com envolvimento de entidades sindicais

Foto: Divulgação

Trabalhadores da Caixa Econômica Federal realizam, nesta quinta-feira (9), um Dia Nacional de Luta contra a privatização do banco público. A mobilização ocorre pelas redes sociais das entidades representativas dos empregados da instituição, por meio da hashtag #MexeuComACaixaMexeuComOBrasil.

A ação faz parte de uma mobilização nacional contra a agenda privatista do governo federal e também se opõe ao retorno precoce de parte dos bancários da Caixa ao trabalho presencial durante a pandemia de Covid-19.

Os trabalhadores estão sendo convocados a reassumir o trabalho em unidades centralizadoras, filiais e representações. Para Sérgio Takemoto, presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), ainda não é o momento de retornar. “O fim do distanciamento social é precoce e coloca os trabalhadores em risco desnecessário, reforçando a falta de preocupação da empresa com os empregados e a população”, diz.

Takemoto também comenta sobre as propostas do governo Bolsonaro relativas à privatização da Caixa: “A intenção desse governo é vender as partes mais lucrativas da Caixa, as partes que o sistema financeiro internacional deseja”. Segundo ele, “o governo está comprometido só com interesses financeiros; mas, vamos sempre defender a Caixa, que é pública, que é dos brasileiros”.

Ele ainda ressalta o papel da Caixa no pagamento do auxílio emergencial de R$ 600 e na concessão de empréstimos ao setor produtivo. “Diante da omissão do governo e dos bancos privados, a Caixa assumiu, sozinha, a sua função social e realizou o pagamento do auxílio emergencial para mais de 64 milhões de pessoas. E manteve, de pé, os outros programas que ajudam a população a enfrentar a crise”, diz o presidente da Fenae.

A mobilização ocorre após o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, ter reforçado os planos de privatização do banco, como a realização da oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da Caixa Seguridade, ainda este ano.

Em oposição à proposta do governo, tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 2.715/2020, que propõe a suspensão das privatizações até um ano após o fim do estado de calamidade pública, que vai até dezembro. Na prática, os processos de desestatização e desinvestimentos poderiam ser retomados apenas em 2022.

O PL é de autoria de Enio Verri (PT-PR), Fernanda Melchionna (Psol-RS), Joênia Wapichana (Rede-RR) e Perpétua Almeida (PCdoB-AC). Para Verri, a privatização traria prejuízos para a população e a economia. “Privatizar setores essenciais é um equívoco dentro do princípio de reduzir a desigualdade regional e social no país. Se a Caixa fica menor ou mais frágil, sua capacidade de negociação ficará reduzida. Isso fará com que o banco passe a intervir menos na economia e na vida das pessoas mais pobres”, alerta.

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