Boulos e Haddad discursam no 24J da Paulista: “O barco do Bolsonaro está afundando”

Ato contra o presidente na capital paulista já reúne dezenas de milhares de pessoas; confira

O ato do 24J contra o presidente Jair Bolsonaro na avenida Paulista, em São Paulo (SP), começou oficialmente à 15h, mas por volta das 16h os dois sentidos da principal via da capital já estavam totalmente lotadas pelos manifestantes.

Com faixas e cartazes, os presentes, que são dos mais diferentes segmentos, entre estudantes, movimentos sociais, sindicatos, políticos, indígenas e torcidas de futebol, pedem a saída de Bolsonaro da presidência e mais agilidade na vacinação.

Algumas lideranças políticas discursaram em carros de som. Guilherme Boulos (PSOL), por exemplo, afirmou que “o barco de Bolsonaro está afundando”.

Em sua fala, Boulos citou as ameaças que Bolsonaro vem fazendo às eleições de 2022 caso não seja implantado o voto impresso.

“Ele começa a ficar assustado com as manifestações, CPI, queda de popularidade, aí começa a ameaçar com a baboseira de que, se não tiver voto impresso, não vai ter eleição em 2022. Quero dizer uma coisa para o Bolsonaro: vai ter eleição em 2022, sim, seu golpista sem vergonha”, exclamou o psolista.

Boulos afirmou, contudo, que vai trabalhar para que Bolsonaro seja derrubado antes da eleição e que seu nome sequer conste na urna eletrônica. “Que em 2022 ele esteja no Tribunal de Haia respondendo pelo genocídio que está praticando”, atestou.

Já Fernando Haddad (PT), por sua vez, pulou e dançou com a Juventude de seu partido na rua e, do alto do carro de som, exclamou: “Nós estamos aqui com vocês até a última gota de suor pra tirar o genocida do Palácio do Planalto”.

Nação roqueira

Os roqueiros também marcaram presença no 24J da avenida Paulista. Paul Martins, apresentador da Rádio Kiss, foi com sua família à manifestação e, em entrevista a Marco Piva, falou sobre a postura dos fãs de rock diante de Bolsonaro.

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“Confesso que fiquei muito impressionado com o posicionamento politico dos roqueiros na última eleição. Foi completamente fora do transgressor, da atitude, me decepcionou muito”, desabafou.

“Mas a luta continua. Foi isso que eu fiz, isso que alguns roqueiros fizeram, e hoje a gente tem um arrependimento de boa parte que entendeu o que fizeram e quanto custa o voto. Hoje a gente pode trazer o rock de forma mais humanizada e mais sociopolítica”, declarou ainda.

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Paul Martins, da Rádio Kiss, no ato contra Bolsonaro da avenida Paulista (Foto: Marco Piva)

Derrota “fragorosa” de Bolsonaro

Também presente na manifestação, o professor Ângelo Del Vecchio, diretor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), celebrou a diversidade do ato e analisou que o movimento aponta para uma “derrota fragorosa” de Jair Bolsonaro.

“Se a coisa andar do jeito que está andando, vamos ter um desenlace, se não anterior à eleição, mas na eleição, uma derrota fragorosa pra ele [Bolsonaro]”, disse Del Vecchio ao jornalista Marco Piva.

“Vi aqui forças de centro-direita, de centro-esquerda, esquerda e até de extrema-esquerda. Hoje estão convivendo pacificamente e é um avanço com relação a outras manifestações. O objetivo é claro: vacina, combate à pandemia e impeachment do Bolsonaro”, atestou ainda.

Confira, abaixo, alguns registros do 24J em São Paulo

Foto: Marco Piva

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Ivan Longo

Jornalista, editor de Política, desde 2014 na revista Fórum. Formado pela Faculdade Cásper Líbero (SP). Twitter @ivanlongo_

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