Bruno Gagliasso: “Lembre-se, meu irmão branco, ‘racismo reverso’ é lenda urbana”

Ator foi às redes defender ação de rede de lojas Magazine Luiza, que reservou 100% das vagas de seu programa de trainee para negros e virou alvo de deputados bolsonaristas. Racismo estrutural é um "monstro horroroso que a humanidade inventou lá atrás e até hoje deixa correr solto por aí", diz

Bruno Gagliasso com os filhos, Titi, Bless e Zyan (Montagem/Wendy Andrade)

Pai adotivo de Bless, 6 anos, e Titi, 7 anos, que nasceram no Malawi, na África Oriental, o ator Bruno Gagliasso foi às redes neste sábado (19) para um “papo reto” com os “irmãos brancos” depois que deputados bolsonaristas declararam que irão à Justiça por “racismo reverso” contra a decisão da rede de lojas Magazine Luiza de reservar todas as vagas do seu programa de trainees em 2021 a candidatos negros.

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“Essa semana uma rede de lojas anunciou que contratará apenas pessoas pretas em UM de seus próximos processos seletivos para treiné. Vejo muitos irmãos brancos revoltados com a notícia. Acusam a marca de praticar um “racismo reverso” e não percebem que essa coisinha se contorcendo por se sentir excluído de algo é apenas a grande ficha caindo: nós temos todas as oportunidades e nunca fizemos nadica de nada para quem não tem as bochechas rosadinhas como nós”, escreveu o ator.

Casado com a atriz Giovanna Eubank, com quem também tem um filho recém-nascido, Zyan, de 2 meses, Gagliasso afirma que é preciso conversar sobre “um monstro horroroso que a humanidade inventou lá atrás e até hoje deixa correr solto por aí: o racismo estrutural”.

“Nossos antepassados, ávidos por dinheiro, poder e terra, dizimaram povos, escravizaram pessoas e criaram um sistema de enriquecimento baseado na exploração de vidas humanas. E por mais longínquo que pareça, nós, os brancos de hoje, ainda nos beneficiamos desse método, porque nenhuma reparação foi dada aos descendentes dos povos escravizadoa. Pelo contrário. Até o início do século passado, essas pessoas eram proibidas de ter educação, possuir coisas, ter suas culturas respeitadas… E a gente aqui em 2020 precisa olhar pra isso com autocrítica e, principalmente, ação”, escreveu.

O ator defendeu a ação da rede de lojas dizendo que “acesso à educação e ao primeiro emprego para pessoas pretas não é ‘racismo reverso’ – Até porque isso sequer existe”.

“Lembre-se sempre, meu irmão branco, o “racismo reverso” é uma lenda urbana. Mas o racismo estrutural é real e muitas vezes tiramos proveito disso sem nem perceber. E é nosso dever acabar com esse ciclo. Não podemos mais adiar”, escreveu.

Este post foi modificado pela última vez em 20 set 2020 - 08:37 08:37

Plinio Teodoro: Plínio Teodoro Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.