Centrais sindicais vão às ruas em São Paulo em defesa do auxílio emergencial de R$600

Segundo a CUT, foi a pressão das centrais sindicais e da oposição que garantiu o valor de R$600 para o auxílio emergencial, que agora o governo reduziu para R$300; MP está parada na Câmara

Lideranças de centrais sindicais realizaram, no final da manhã desta terça-feira (3) em São Paulo, um ato unificado em defesa do auxílio emergencial no valor de R$600. A manifestação foi realizada em frente ao prédio do Banco Central, na avenida Paulista, e contou com a presença dos presidentes e representantes da CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST e CSB.

Com o ato, as centrais pretendem pressionar o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, a pautar a votação da Medida Provisória (MP) 1.000, editada por Jair Bolsonaro em setembro e que prorroga o auxílio emergencial até dezembro, mas com o valor reduzido pela metade: R$300. A MP, no entanto, está parada na Câmara e Maia sinalizou que ela pode ser votada ainda esta semana.

“Mais de 65 milhões de brasileiros dependem exclusivamente desse valor pra sobreviver. Reduzir o Auxílio para R$ 300,00, neste momento, é um crime”, afirmou o presidente da CUT, Sérgio Nobre, ressaltando ainda que o valor de R$600, quando o auxílio começou a ser pago, foi uma conquista das centrais sindicais e da oposição no Congresso, já que o governo, a princípio, queria pagar apenas R$200.

“As famílias estão enfrentando a fome e a dificuldade do desemprego neste momento. A manutenção do valor mensal de R$ 600 é importantíssimo também para a economia, porque isso gira o mercado e a indústria do nosso país”, complementou João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da Força Sindical.

Desde setembro, quando Bolsonaro editou a MP da prorrogação do auxílio, que as centrais sindicais vêm fazendo pressão sob os parlamentares para que o valor do benefício seja de R$600. Essa pressão têm se dado nas ruas, como no ato realizado nesta terça-feira, e também de maneira virtual, através do site NaPressão e de um abaixo-assinado, criados para serem canais diretos de mobilização entre a população e deputados.

“As caixas e os grupos de mensagem dos parlamentares em Brasília estão lotadas e vamos lotar mais ainda. Essa pressão tem que ser ampliada e fortalecida. É o que estamos fazendo”, afirmou Sérgio Nobre.

Além da defesa do auxílio emergencial no valor de R$ 600, as centrais sindicais saíram em defesa também, no ato de hoje, da desoneração da folha de pagamento para que empresas possam reagir aos efeitos da pandemia e manter empregos. Bolsonaro vetou a desoneração da folha para 17 setores da economia e as centrais tentam pressionar o Congresso Nacional para que o veto seja derrubado.

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Ivan Longo

Jornalista e repórter especial da Revista Fórum.