Em meio à crise militar e ameaças, mobilizações nas ruas visam barrar comemorações do golpe nesta quarta (31)

Partidos de esquerda e movimentos populares convocam para atos em todo o país contra as ameaças de bolsonaristas de celebrar o aniversário do golpe militar de 1964 e pregar um novo fechamento do regime

Nesta quarta-feira (31) o golpe militar de 1964, que culminou na ditadura militar (1964-1985), completa 57 anos. Todos os anos, os saudosos dos anos de chumbo tentam comemorar a data que deu início ao período de prisões, mortes, torturas ilegais e censura, mas desta vez o dia ganha contornos mais macabros, visto que acontece em meio a uma crise instaurada entre o presidente Jair Bolsonaro e as Forças Armadas causada pela troca do ministro da Defesa e a demissão coletiva dos comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica – acontecimento sem precedentes na história do país.

Nos bastidores, circula a informação de que a demissão, nesta segunda-feira (29), do então ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, teria sido motivada pelo fato do militar se recusar a colocar as Forças Armadas a serviço de dos interesses políticos de Bolsonaro, e que os comandantes Edson Leal Pujol (Exército), Ilques Barbosa (Marinha) e Antônio Carlos Bermudez (Aeronáutica) teriam seguido a posição do ex-titular da pasta.

Esses acontecimentos às vésperas do aniversário do golpe militar estão deixando os bolsonaristas mais radicais atiçados. Pelas redes sociais, eles têm convocado para manifestações em celebração da data, com carreatas próximas a quartéis militares que visam, além de comemorar o macabro 31 de março de 1964, protestar contra as medidas de restrição encampadas por governadores e prefeitos, pedir a destituição de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e uma intervenção militar “com Bolsonaro no poder”.

“Dia 31 de Março está chegando! É só um Tweet”, escreveu, por exemplo, em tom de ameaça, o vereador bolsonarista Douglas Gomes (PTC), de Niterói.

Em grupos bolsonaristas no Whatsapp e Telegram, circulam convocações para carreatas “em defesa de Bolsonaro”. A Associação Nacional Maçônica no Brasil (Anmb), por sua vez, foi mais explícita ao convocar manifestações para esta quarta-feira. “A Anmb vem a público externar seu apoio incondicional às Forças Armadas do Brasil, na pessoa do seu comandante-geral, o excelentíssimo senhor presidente Jair Messias Bolsonaro”, diz um trecho da nota da entidade.

“Convocamos a todos os brasileiros que venham às ruas neste 31 de março, que se tornará o marco mais importante das últimas três décadas da nossa nação”, diz ainda o texto.

Vale lembrar que, além de todos esses novos componentes da crise militar que orbitam este aniversário do golpe, no último dia 17, por 4 votos a 1, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região decidiu que as Forças Armadas podem comemorar a data, algo que antes era proibido.

Para barrar essas comemorações e intentonas golpistas, partidos de esquerda, em especial o Partido da Causa Operária (PCO), e movimentos populares, estão convocando para esta quarta-feira (31) manifestações em todo o Brasil. “Somente há uma forma de barrar o crescimento dos fascistas no país, impedindo na força que ocupem as ruas, e travando uma forte mobilização contra todo o regime golpista. Por isso, é fundamental que todas as organizações de esquerda, que se colocam na luta contra o golpe de Estado e a ditadura, impulsionem esta mobilização e formem na luta, uma unidade que sirva para cortar pelo pescoço a sanha dos fascistas e derrotar o golpe de estado”, diz um trecho da convocatória dos atos.

A mobilização do PCO ganhou o apoio de outros partidos como PT e PSOL, além de organizações como o sindicato dos metalúrgicos de Porto Alegre, o movimento Anula STF, Favela Não se Cala, Casa Nem, Comitê Lula Livre, entre outros.

“É muito importante lutar contra a ditadura e a escalada autoritária a que o Brasil está submetido nesse momento com o presidente genocida Jair Bolsonaro”, disse a presidenta do PT, deputada Gleisi Hoffmann, em um vídeo de apoio aos atos, citando ainda “a ditadura de ontem e a ditadura de hoje”. “As manifestações servem para relembrar esta triste história e para dizer que não aceitaremos isso novamente no nosso país”, pontuou.

O atos contra as comemorações do golpe acontecerão em mais de 20 cidades do Brasil e do mundo. Confira abaixo a agenda completa.

Sul

Porto Alegre (RS) – Esquina Democrática, 13h

Florianópolis (SC) – Catedral Metropolitana, 16h

Curitiba (PR) – Praça Santos Andrade, 16h

Sudeste

São Paulo (SP) – Vão do Masp, 15h

Araraquara (SP) – Praça Santa Cruz, 15h30

Rio de Janeiro (RJ) – Cinelândia, 13h

Volta Redonda (RJ) – Praça Memorial Zumbi, 13h

Belo Horizonte (MG) – Praça da Estação, 16h

Vitória (ES) – (Horário e local a confirmar)

Centro-oeste

Brasília (DF) – Biblioteca Nacional, 16h

Cuiabá (MT) – Praça Alencastro, 17h30

Campo Grande (MS) – (Horário e local a confirmar)

Goiânia (GO) – (Horário e local a confirmar)

Nordeste

Salvador (BA) – Praça Piedade, 14h

Porto Seguro (BA) – (Horário e local a confirmar)

Aracajú (SE) – (Horário e local a confirmar)

Maceió (AL) – Praça Centenário, 15h

Recife (PE) – Monumento Tortura Nunca Mais, 9h

João Pessoa (PB) – Praça da Paz, 9h

Natal (RN) – Shopping Midway, 15h

Fortaleza (CE) – (Horário e local a confirmar)

São Luís (MA) – (Horário e local a confirmar)

Teresina (PI) – Av. Frei Serafim, 16h

Norte

Rio Branco (AC) – Parque da Maternidade (Terminal Urbano), 9h

Macapá (AP) – (Horário e local a confirmar)

Palmas (TO)  – (Horário e local a confirmar)

Manaus (AM) – (Horário e local a confirmar)

Belém (PA) – (Horário e local a confirmar)

Porto Velho (RO) – (Horário e local a confirmar)

Boa Vista (RR) – (Horário e local a confirmar)

Europa

Portugal – Porto – Consulado do Brasil, 10h

Alemanha – Berlim – Embaixada Brasileira, 12h30

Inglaterra – Birmingham – West Midlands

Espanha – Barcelona – Praça de Sant Jaume

Áustria – Viena – Embaixada do Brasil, 15h30

Finlândia – Helsinque – Embaixada do Brasil, 16h

América do Norte

EUA – Nova Iorque – Embaixada do Brasil, 14h

Avatar de Ivan Longo

Ivan Longo

Jornalista e repórter especial da Revista Fórum.