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16 de janeiro de 2020, 18h54

Em reunião entre Cacique Raoni e filha de Chico Mendes, renasce a Aliança dos Povos da Floresta

A frente recria o movimento liderado por Chico Mendes há 40 anos, e terá como primeira missão elaborar um projeto de desenvolvimento sustentável da Amazônia, entre indígenas, ribeirinhos, quilombolas e trabalhadores do extrativismo

Cacique Raoni (Foto: Arquivo/EBC)

No terceiro dia do Encontro dos Povos Mebengokrê, nesta quinta-feira (16), com a reunião entre o Cacique Raoni Metuktire, outras 450 lideranças indígenas e a ativista ambiental Ângela Mendes, filha do histórico líder seringueiro Chico Mendes e presidenta do comitê que leva o nome do seu pai, ficou selada a união que marca o ressurgimento a Aliança dos Povos da Floresta.

A frente que recria o movimento que foi liderado por Chico Mendes há 40 anos atrás, e reunirá indígenas, ribeirinhos, quilombolas e outros trabalhadores do extrativismo, tendo como primeira missão a elaboração de um projeto em conjunto de desenvolvimento sustentável da Amazônia.

No encontro entre as lideranças indígenas e o Comitê Chico Mendes, que aconteceu na Terra Indígena Capoto Jarina, às margens do rio Xingu, no Mato Grosso, os participantes também decidiram trabalhar na confecção de um manifesto que, além de anunciar a recriação da Aliança, pretende impulsar o primeiro discurso desta visando cobrar do governo de Jair Bolsonaro maior ação na defesa do meio ambiente e daqueles que trabalham para protegê-lo.

Em declaração feita horas antes do relançamento da frente, o Cacique Raoni disse que “este encontro não é para planejar uma guerra, um conflito. Estamos aqui para defender nosso povo, nossa causa, nossa terra”.

Por sua parte, Ângela Mendes fez uma comparação entre o momento atual do Brasil e os da luta encabeçada por seu pai: “Meu pai dizia que a floresta nos une frente ao perigo comum, mas hoje é o Governo que nos trata como se fôssemos um inimigo. Tentamos contato com o Governo assim que assumiram, como foi feito com todos os anteriores. Mas os órgãos que eram nossos interlocutores estão fechando as portas”.

Antes de fazer seu discurso, a ativista foi anunciada por Raoni como “uma pessoa que honra o legado de seu pai, o seringueiro que morreu defendendo a Amazônia”, palavras que emocionaram a convidada.

Na reunião, também estavam presentes figuras importantes da luta pela Amazônia sustentável, como o presidente do CNS (Conselho Nacional dos Seringueiros), Júlio Barbosa, e a líder indígena Sônia Guajajara, que também foi candidata a vice-presidenta em 2018, pelo PSOL, junto com o ativista Guilherme Boulos.


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