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26 de março de 2018, 21h55

João Paulo do MST: Melhor defesa é o ataque

Em artigo, dirigente do movimento social fala sobre os ataques da direita à caravana de Lula e defende posição mais combativa dos setores populares. "Os confrontos com a passagem da Caravana Lula sinaliza que as batalhas vão sair do mundo das ideias e do campo da internet e ganhar as rua"

Foto: Agência Brasil

Por João Paulo Rodrigues*

Os ânimos estão acirrados em função da possível vitória do Lula no Supremo Tribunal Federal (STF). Obstruir o processo em curso por setores do Judiciário, da Polícia Federal e do Ministério Público, com apoio da mídia, para levar o representante das forças populares para a prisão e retirá-lo da disputa presidencial seria uma grande derrota para o golpismo.

Lula é a principal ameaça ao programa ultraneoliberal de diminuição do valor da força de trabalho, desmonte dos instrumentos de intervenção do Estado na economia, entrega dos recursos naturais para o capital internacional e alinhamento da política externa aos Estados Unidos.

Os confrontos com a passagem da Caravana Lula pela região Sul sinaliza que as batalhas vão sair do mundo das ideias e do campo da internet e ganhar as ruas. Nesse quadro, o ano de 2018 será marcado por uma nova etapa da luta política no Brasil, de agudização da famosa luta de classes.

A esquerda social brasileira, seguindo as lições de Florestan Fernandes, sempre atuou para intensificar a luta de classes. Quanto mais aguda a luta de classes maior a transparência da disputa política para as massas. Nesses momentos, a burguesia entra em uma situação autodefensiva, torna-se virulenta e se coloca acima de qualquer “legalidade”, como ficou patente na ação dos setores conservadores que impediram o direito de ir e vir do Lula na passagem da caravana por Passo Fundo (RS).

Esta semana promete e a luta política pode ganhar um padrão Venezuela. No entanto, a direita está mais bem posicionada, atirando contra as forças populares de todos os lados, utilizando seu controle sobre governo, Judiciário, Congresso e mídia.

A melhor forma de defesa é o ataque político. Precisamos atuar em todas as frentes de batalha para fazer a luta política e ideológica. Somente dessa forma será possível dispersar a força do inimigo, que se concentra no ataque à caravana.

As contradições abertas com a Intervenção Federal no Rio de Janeiro e a execução da lutadora do povo Marielle Franco, que emocionou, sensibilizou e indignou a sociedade brasileira, podem se transformar em um estopim para grandes manifestações para derrotar o golpismo e enfrentar a crise política, econômica e social.

Os movimentos sociais, que organizam trabalhadores pobres do campo e da cidade, têm o desafio adicional de fazer a luta política mais ampla e atender as demandas da base, em um quadro de crise econômica, piora das condições de vida do povo e o bloqueio de qualquer conquista sob o governo golpista.

A luta de classes aberta em torno do Lula, que tem identidade com o povo brasileiro pela sua simbologia e pelos resultados concretos do seu governo, é uma oportunidade para as forças populares articularem a defesa da democracia com a organização popular e luta social para derrotar o golpe e superar a crise brasileira. Daí vem a importância da construção do Congresso do Povo, da Frente Brasil Popular.

Uma das tarefas da luta ideológica é denunciar os interesses dos EUA por trás da Operação Lava Jato e de figurar como o juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol. A série Mecanismo, lançada neste final de semana, é mais um ataque ideológico contra o Brasil, que precisa ser enfrentado.

É precisa fazer a guerrilha nas redes, que tem seus limites pelo poder das grandes empresas e do controle de plataformas pelo grande capital, mas é um campo de batalha que demanda mais planejamento, articulação e eficiência. É necessário também intensificar as atividades de agitação e propaganda no meio do povo com a bandeira #LulaLivre e #lulapresidente.

É necessário combinar diversas táticas de luta, que articulem reivindicações concretas e pequenos embates com o fortalecimento da consciência de classe e uma disposição de luta inabalável. Vamos à luta, companheirada!

*João Paulo Rodrigues é membro da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)


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