Movimentos sociais e sindicatos doam 3 toneladas de alimentos a catadores após ato pela volta do auxílio de R$600

Depois do ato e da doação realizada em Brasília, representantes de centrais sindicais foram recebidos pelo vice-presidente da Câmara e entregaram um documento com propostas legislativas

Na manhã desta quarta-feira (26), as principais centrais sindicais brasileiras se uniram a movimentos sociais e realizaram um ato em Brasília, em frente ao Congresso Nacional, em que denunciaram a volta da fome no país e cobraram do Congresso Nacional a retomada do auxílio emergencial em seu valor original, de R$600.

Aprovado em 2020 graças à articulação da oposição no parlamento, o auxílio emergencial, principal garantia de sobrevivência para milhares de brasileiros diante das consequências da pandemia do coronavírus, foi reduzido para menos da metade de seu valor original este ano pelo governo Bolsonaro. Para as centrais sindicais e movimentos sociais, o corte no benefício é um “crime”.

Os manifestantes também protestaram por mais vacinas para a população e contra o governo de Jair Bolsonaro. Organizado por CUT, Força Sindical, UGT, CTB, Nova Central, CSB, Intersindical, Pública, CSP-Conlutas, CGTB, CONTAG, e também pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MSD) e Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, o ato ainda contou com uma doação de 3 toneladas de alimentos agroecológicos a catadores de material reciclável cooperativados. Foram, ao todo, distribuídas mais de 600 cestas básicas com, no mínimo, 16 itens colhidos na terça-feira (23) em áreas da Contag e assentamentos do MST.

Colheita de alimentos agroecológicos que foram doados a catadores (Foto: Matheus Alves/MST)

“É visível o crescimento da miséria e da fome no nosso país, com famílias inteiras dormindo nas calçadas, mulheres e crianças pedindo nos faróis e porta de supermercados”, afirmou o presidente da CUT, Sérgio Nobre. “É mentira essa história de que não tem dinheiro, de que o país vai quebrar, porque o benefício é investimento para combater a pandemia e melhorar a economia”, completou o sindicalista.

Além das centrais e movimentos, estiveram presentes na manifestação, que contou com protocolos de distanciamento para evitar a disseminação do coronavírus, deputados e deputadas de oposição como Gleisi Hoffmann (PT-PR), Talíria Petrone (PSOL-RJ), Bohn Gass (PT-RS), Alice Portugal (PC do B-BA), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), além do senador Paulo Rocha (PT-PA).

Manifestantes fizeram simulações do que é possível comprar com diferentes valores de auxílio emergencial (Reprodução)

“Participei do ato simbólico das Centrais Sindicais em Brasília, a favor da renda emergencial de 600,00, vacina p/ todos e geração de empregos. As Centrais também entregaram a pauta de interesse dos trabalhadores à direção do Congresso Nacional. Dia 29 tem mais atos”, escreveu Gleisi em suas redes sociais após o protesto.

Ao final da manifestação, os representantes das centrais sindicais foram recebidos pelo vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PL-AM). No encontro, os sindicalistas entregaram ao parlamentar um documento com propostas legislativas contra uma agenda parlamentar que, segundo eles, ataca direitos dos trabalhadores. Trata-se da Agenda Legislativa das Centrais Sindicais para a Classe Trabalhadora. Produzido em conjunto com o DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), o documento faz propostas do movimento sindical a 23 projetos em tramitação na Câmara e Senado.

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Ivan Longo

Jornalista e repórter especial da Revista Fórum.