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08 de março de 2017, 15h06

Mulheres sem-terra paralisam Vale por calote na Previdência

A ação faz parte da Jornada Nacional de Lutas do 8 de março

Por Rute Pina e Julia Doce, no Brasil de Fato

Na manhã desta terça-feira (7), cerca de 1,5 mil mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) paralisaram o complexo industrial da empresa Vale Fertilizantes, em Cubatão (SP), para denunciar a dívida da mineradora com a Previdência. A Vale está na lista da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), como uma das maiores credoras do sistema previdenciário. A empresa deve R$ 276 milhões ao INSS.

A ação fez parte da Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Sem Terra, que iniciou na última segunda-feira (6) e ocorre até o dia 10 deste mês. A principal pauta do movimento é a critica à reforma da Previdência que tramita no Congresso Nacional na forma da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 287. O tema também é o foco de ações de diversas outras organizações e movimentos populares neste mesmo dia.

Segundo Nívia da Silva, coordenadora estadual do MST no Rio de Janeiro, a dívida de empresas privadas com o INSS contraria o discurso do governo Temer sobre o déficit na Previdência.

“É muito oportuno que nessa crise [as empresas queiram] diminuir sua contribuição previdenciária para aumentar a taxa de lucro”, afirmou a dirigente.

A dívida de empresas públicas, privadas, fundações e entes da federação com o Regime Geral da Previdência Social soma mais de R$ 426 bilhões. O valor é quase o triplo do déficit do INSS, que foi de cerca de R$ 250 bilhões em 2016, de acordo com o governo federal. Entre as maiores devedoras estão o Bradesco, Caixa, Marfrig, JBS e Vale.

“Não temos que fazer uma reforma da Previdência, mas uma cobrança a essas empresas para que elas cumpram com seu compromisso junto à classe trabalhadora”, continuou.

Ação

Por volta das 6h, as mulheres chegaram à unidade 2 do complexo da Vale Fertilizantes, onde permaneceram por 20 minutos entoando palavras de ordem e de denúncia contra a empresa. Após a ação, as militantes paralisaram a entrada de todo o complexo industrial.

Segundo Silva, a ação teve caráter pedagógico, com o objetivo de explicitar que “as principais impactadas na reforma da Previdência são as mulheres do campo”. A PEC 287 pretende equiparar a idade de aposentadoria entre mulheres e homens e trabalhadores urbanos e do campo.

Ela pondera que o movimento defende um sistema de previdência social público, universal e solidário.

A Jornada denuncia também o capital estrangeiro na agricultura brasileira por meio de empresas transnacionais.

Histórico

O movimento de mulheres sem-terra tem ganhado cada vez mais importância dentro do MST, e as ações de enfrentamento protagonizadas pelas camponesas na véspera do 8 de março vêm acontecendo desde 2006, quando foi realizada uma intervenção na empresa Aracruz, no Rio Grande do Sul.

Foto: Julia Dolce/Brasil de Fato

 


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