Petroleiros denunciam explosão de casos de Covid na Petrobras

São 725 infectados, o que caracteriza novo surto de contaminação na empresa; desde o início pandemia foi registrada a morte de 59 trabalhadores

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) denunciou novo surto de Covid-19 entre os trabalhadores da Petrobras. A direção da empresa, desta vez, admitiu. A explosão de casos atingiu as unidades da empresa nos últimos dias, causados pelo avanço da variante Ômicron.

Foram registrados 725 casos confirmados de infectados pelo coronavírus, segundo cálculos desta quinta-feira (13). Além disso, há um total de 1.041 suspeitos. Desde o início da pandemia morreram 59 trabalhadores.

O Rio de Janeiro, onde está a grande parte das operações offshore da empresa, apresentou o maior índice de casos confirmados: 468, do total de 670 suspeitos; seguido por São Paulo, com 161 suspeitos e 119 confirmados.

Para efeito de comparação, em 15 de dezembro 2021, eram 18 contaminados confirmados, num total de 109 suspeitos. O Rio de Janeiro também liderava os resultados, com 72 suspeitos e sete casos confirmados.

Os números foram apresentados pelo grupo de Estrutura Organizacional de Resposta da Petrobras (EOR) da Petrobras, em reunião, na manhã desta quinta (13), com lideranças da FUP.

No encontro, que teve mais de duas horas de duração, A FUP solicitou que fosse discutido o novo avanço da contaminação por coronavírus nas dependências da companhia.

Somente na base do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF) foram confirmados 1.884 casos de Covid-19 desde o início da pandemia até hoje.

Segundo o diretor de Segurança, Meio Ambiente e Saúde (SMS) da FUP, Antonio Raimundo Teles, os números confirmam novo surto de contaminação na empresa, situação de risco seguidamente alertada pela FUP e sindicatos.

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“Em meio a isso, é surpreendente que a gestão da empresa esteja preocupada, sobretudo, em defender os interesses da companhia”, afirmou ele, em referência à proposta apresentada pela Petrobras, durante à reunião, de aumentar de oito para 12 horas a escala de trabalho na empresa, em regime temporário e emergencial, como foi adotado no auge da pandemia, em março de 2020.

Aumento de escala não é o caminho, avalia dirigente da FUP

Para Teles, o aumento de escala não é o caminho adequado. Ao contrário, só penalizará o trabalhador física e mentalmente, sobretudo nas unidades offshore. “A empresa vem reduzindo seu efetivo e, agora, diante das baixas por Covid, quer sobrecarregar o trabalhador”, disse.

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Cobrada pela FUP sobre providências adotadas diante do novo surto, a Petrobras informou a adoção do trabalho em regime híbrido, voltando à situação e regras que predominavam em dezembro de 2021, em cada unidade da empresa. Ou seja, no edifício sede, no Rio, um máximo de 40% dos empregados da área administrativa trabalhará até dois dias presenciais por semana.

Trabalhadores defendem testagem na metade do período a bordo

Em relação ao protocolo de testagem nas unidades da empresa, um dos itens da pauta da reunião, os representantes da estatal disseram estar em fase de implementação das medidas recomendadas por resolução (RDC 584, de 8/12/21) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), entre elas a testagem de todos os trabalhadores a bordo, quando haja um caso confirmado de contaminação.

O dirigente da FUP lembra, ainda, que os petroleiros defendem a testagem também na metade do período a bordo, entre outras medidas de segurança sanitária que permitam identificar previamente janelas de contágio.

No final do ano passado, dia 29 de dezembro, foram registrados 42 suspeitos de Covid-19 nas plataformas PNA-1, PGP-1 (Garoupa) e P-40, na bacia de Campos.

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Lucas Vasques

Jornalista e redator da Revista Fórum.