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10 de outubro de 2019, 19h52

Preta Ferreira está em liberdade após 109 dias de prisão injusta

"Só me deram mais força, eu conheci outro mundo. Eu conheci outras mulheres que, assim como eu, estão ali devido ao país que a gente vive: racista, machista, opressor", declarou Preta Ferreira ao sair do presídio

Foto: Boletim Lula Livre

A apresentadora, cantora e ativista Preta Ferreira foi liberada na noite desta quinta-feira (10) em razão do deferimento de habeas corpus por parte do Tribunal de Justiça de São Paulo. Preta estava presa de forma arbitrária desde 24 junho junto a seu irmão, Sidney, que também deve ser liberado nesta noite.

“Eu tô livre, eu sou inocente, eu não fiz nada, Deus é justo. Agora, vamos trabalhar para provar a minha inocência e a dos demais. Não vão revidar com os movimentos de moradia. A gente precisa de moradia. Ninguém ocupa porque quer, ocupa porque há necessidade. […] Eu tô livre e minha bandeira é essa aqui: Movimento dos Sem Tetos do Centro. Eu sou inocente”, disse Preta ao sair do presídio, muito emocionada.

“Não parou nada, só me deram mais força, eu conheci outro mundo, eu conheci outras pessoas que precisam de ajuda, eu conheci outras mulheres que, assim como eu, estão ali devido ao país que a gente vive: racista, machista, opressor. Não é Preta livre, são pretas. Existem outras mulheres, são milhares.  […] Estudem, gente, porque se você estudar, o sistema não vai aguentar com vocês. Quando a senzala descer, a casa grande vai surtar. Pode humilhar, a gente vai se reerguer”, declarou ao conversar com o Jornalistas Livres, logo em seguida.

“Quero agradecer a todo mundo que neste 108 dias me apoiou. Me separaram da minha família, me torturaram, me colocaram num lugar horrível. Eu fiquei longe da minha família sem eu ter feito nada. Nunca cometi nenhum crime. Eu acredito na Justiça divina e eu ei de estar viva para provar a nossa inocência”, disse ainda.

A aceitação do pedido veio um dia depois da Plataforma Brasileira de Direitos Humanos, Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais (Dhesca) afirmar que a prisão das duas lideranças de movimento dos sem teto tinha como objetivo pressionar a coordenadora da Frente de Luta por Moradia (FLM), Carmem Ferreira da Silva.

 

PRETA SAI DO CÁRCERE: AO VIVO Acompanhe no Jornalistas Livres a saída da prisão injusta de Preta Ferreira *Justiça de São Paulo concede liberdade a Preta Ferreira*_Em julgamento nesta quinta, Tribunal de Justiça de São Paulo concedeu habeas corpus à cantora, encarcerada há mais de cem dias_ O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) concedeu, nesta quinta (10), habeas corpus para a cantora e produtora cultural, Preta Ferreira, e seu irmão, Sidney Ferreira. Presos desde 24 junho, em razão de denúncia do Ministério Público contra uma série de ativistas por moradia em São Paulo, os irmãos poderão, agora, responder o processo em liberdade, seguindo algumas medidas cautelares. Para Augusto de Arruda Botelho e Beto Vasconcelos, advogados de Preta, "permitir que Preta e Sidney respondam ao processo em liberdade é, nada menos do que, uma questão de justiça. E foi isso que pudemos presenciar aqui hoje no Tribunal, a justiça sendo feita. Essa é uma vitória importante dentro de um longo processo em que provaremos a completa inocência dos dois". *Entenda o caso*Em 11 de julho de 2019, o Ministério Público do Estado de São Paulo denunciou 19 integrantes de diferentes movimentos de luta por moradia. Na denúncia, assinada pelo promotor de Justiça criminal Cassio Roberto Conserino, o grupo é acusado de associação criminosa e extorsão.Quinze dias antes, em 24 junho, quatro dos indiciados foram presos provisoriamente. Sidney Ferreira e Preta Ferreira, do Movimento Sem-Teto do Centro (MSTC), e Edinalva Silva Ferreira e Angélica dos Santos Lima, do Movimento de Moradia Para Todos (MMPT). Quatro dias depois, as prisões foram convertidas para preventivas (por tempo indeterminado).O inquérito é um desdobramento da investigação do desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida, no Largo Paissandu, em maio de 2018. O prédio era ocupado pelo Movimento de Luta Social por Moradia (MLSM) e abrigava aproximadamente 150 famílias. Nenhum dos ativistas detidos em junho deste ano tem relação com a ocupação do Wilton Paes, senão aquela estabelecida logo após o desabamento, quando comitês de ajuda organizados pelos movimentos de moradia prestaram auxílio às famílias desabrigadas.A denúncia apresentada pelo Ministério Público, com base no inquérito policial, aponta o recebimento de uma carta denúncia como motivação inicial da investigação. O site Jornalistas Livres revelou que o documento era cópia de texto que circulava em redes de extrema direita, sem qualquer correlação com moradores de ocupações.Em 6 de agosto, a juíza Erika Soares de Azevedo Mascarenhas, da 6ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, acolheu a denúncia do Ministério Público e fez novos pedidos de prisão preventiva para outras nove pessoas, dentre elas Liliane Ferreira, Adriana Ferreira e Carmen Silva, todas do MSTC.Tomando por verdade frágeis testemunhos colhidos durante o inquérito e usando expressões como “ganância desvairada”, “ambição desmedida” e ”egoísmo excessivo”, a juíza acredita haver um conluio de movimentos, a que chama de “poder paralelo”, com o objetivo de extorquir a população.Foi constituída uma equipe de defesa para atuar em favor dos integrantes do MSTC. Os advogados Augusto Arruda Botelho, Allyne Andrade e Silva e Beto Vasconcelos cuidam da defesa de Preta Ferreira. Liliane Ferreira e Adriana Ferreira serão defendidas pelos advogados Pierpaolo Cruz Bottini, Igor Sant’Anna Tamasauskas e Tiago Sousa Rocha. Amanda Santos Cayres cuidará do caso de Sidney Ferreira. Theo Dias, Francisco Queiroz e Luiz Guilherme Pretti advogam por Carmen Silva.Em 5 de setembro, Adriana Ferreira e Liliane Ferreira tiveram habeas corpus concedidos. Carmen Silva teve liberdade concedida em 3 de outubro, assim como Preta e Sidney em 10 de outubro.

Publicado por Jornalistas Livres em Quinta-feira, 10 de outubro de 2019

 

Fascismo, Pacote Anticrime do Moro, Juliana Cardoso e Preta Ferreira


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