“Se não for do lixo, não tenho nada para comer”, diz mulher após receber doação de alimentos do MST em Fortaleza

Cena de famílias da capital cearense revirando caminhão de lixo para buscar comida chocou o país e motivou ação de movimentos sociais, que encontraram essas pessoas e doaram cestas básicas

Na falta de ação do governo Bolsonaro diante da miséria que assola o país, é a população que vem cumprindo o papel do Estado e ajudando famílias que estão passando fome. Chocados com as cenas que viralizaram no último domingo (17), que mostram famílias de Fortaleza (CE) revirando um caminhão de lixo para encontrar comida, movimentos populares do Ceará organizaram uma ação para doar cestas básicas a essas pessoas.

A doação ocorreu nesta quarta-feira (21) e foi fruto de uma parceria entre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Movimento dos Trabalhadores Por Direitos (MTD), Consulta Popular (CP), Movimento dos Atingidos Por Barragens (MAB) e Levante Popular da Juventude (LPJ). Ação parecida já havia sido realizada na terça-feira (19) pela Central Única das Favelas (CUFA).

As entidades foram até o bairro em que a cena do caminhão de lixo foi registrada e doaram cestas com itens como arroz, feijão, abóbora, farinha, coco e rapadura de caju, produzidos em assentamentos e acampamentos do MST no Ceará.

“Aqui, nós não temos como garantir nosso alimento, então a alternativa é vir esperar o carro do lixo passar, catar os alimentos que são descartados pelos supermercados. É isso, ou não ter nada pra comer. A gente passa a manhã toda esperando no sol e, às vezes, nem água pra beber, queremos trabalho, a falta de alimento, a fome bate na nossa porta todos os dias, então agradeço muito a vocês pela ajuda”, disse Maria de Lourdes, moradora da região que é uma das pessoas que aparecem no vídeo que viralizou.

Foto: Aline Oliveira/MST-CE

Para Gene Santos, da Direção Nacional do MST no Ceará, é perceptível o aumento da miséria e da fome no Brasil e também no Ceará.

“Nós não podemos encarar isso com naturalidade, é com muita indignação que nós vimos as imagens em que homens e mulheres recolhem comida do lixo para se alimentar. Então, diante dessa situação estamos mais vez realizando uma ação de solidariedade, mas principalmente uma ação de denúncia para demonstrar que este é um problema grave que precisa ser encarado com políticas públicas para resolver a situação da fome”, disse o dirigente.

O MST já doou em todo o país, somente durante a pandemia, mais de 5 mil toneladas de alimentos e 1 milhão de marmitas e, esta semana, recebeu um prêmio da Organização das Nações Unidas (ONU) por defesa da classe trabalhadora.

Assista abaixo vídeo produzido pelo movimento que mostra a ação em Fortaleza.

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Ivan Longo

Jornalista, editor de Política, desde 2014 na revista Fórum. Formado pela Faculdade Cásper Líbero (SP). Twitter @ivanlongo_

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