Fórum Educação
10 de janeiro de 2020, 22h35

Sem-terra denunciam ameaças e truculência da PM durante ação de despejo em Roraima

“As famílias estão sendo obrigadas a ver tudo que tem ser queimado, sem poder fazer nada”, afirmou integrante do MST

Foto: Comunicação/MST

Por Caroline Oliveira, no Brasil de Fato

Cerca de 80 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foram despejadas do acampamento Lula Livre, em Mucajaí, em Roraima, a 58 quilômetros da capital do estado, Boa Vista, nessa quinta-feira (9).

Os acampados afirmam que o despejo se deu de forma violenta e que todos os pertences deles foram queimados pelas forças de segurança que atuaram na operação. “A polícia está ameaçando prender quem tentar entrar no local. As famílias estão sendo obrigadas a ver tudo que tem ser queimado, sem poder fazer nada”, conta uma agricultora, integrante do MST, que prefere não se identificar, por medo de represálias.

Segundo a assessoria de imprensa do movimento, “o despejo não foi acompanhado por um oficial de justiça”, como determina a lei. A Polícia Militar de Roraima estava no local, juntamente com a Força Tática da PM, “ameaçando as famílias e impedindo de retirarem seus pertences das moradias”. De acordo com o MST, os PMs foram acompanhados pelo grileiro da terra, conhecido como Zezinho, que reivindica a posse da área.

As famílias estavam no acampamento, que fica na Fazenda Tocantins, com cerca de 650 hectares, desde o dia 17 de abril de 2019. No local, havia produção de mandioca e hortaliças, além de criação de galinhas.

Após o despejo, os sem-terra decidiram montar um acampamento ao lado da fazenda.

Brasil de Fato entrou em contato com a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública de Roraima, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.


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