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08 de julho de 2020, 22h01

#TchauSalles: Campanha pelo afastamento do ministro do Meio Ambiente ganha força após ação do MP

Hashtag contra Ricardo Salles domina os assuntos mais comentados no Twitter; para o MPF, ministro de Bolsonaro age para desmontar a proteção ambiental no país e permanência no cargo pode trazer "consequências trágicas”

Reprodução/Twitter

Vem crescendo nas redes uma campanha que prega a saída de Ricardo Salles do Ministério do Meio Ambiente. Na noite desta quarta-feira (8), a hashtag #TchauSalles chegou à lista dos assuntos mais comentados no Twitter.

A mobilização, que é encabeçada por entidades como o Greenpeace e o Instituto Socioambiental, ganhou força após o pedido de procuradores Ministério Público Federal (MPF), de segunda-feira (6), para que Salles seja removido da pasta.

Para os procuradores, Salles atua no ministério com o objetivo de desmontar a proteção ao meio ambiente no país, o que configura improbidade administrativa.

Assinada por 12 procuradores do Distrito Federal e integrantes da Força-Tarefa Amazônia do MPF, a ação relaciona uma série de atos de Salles no comando da pasta que favoreceriam a desestruturação da política ambiental no Brasil, divididas em quatro categorias.

Na categoria desestruturação normativa, os procuradores apresentam medidas assinadas por Salles que enfraqueceriam leis ambientais. Em reunião ministerial no dia 22 de abril, o ministro defendeu aproveitar a pandemia para “passar a boiada” da desregulamentação.

Em desestruturação dos órgãos de transparência e participação há casos como o esvaziamento de conselhos consultivos. Já a desestruturação fiscalizatória trata do desmonte de órgãos de fiscalização ambiental, como o Ibama e o ICMBio, além da própria desestruturação orçamentária, com cortes de verbas em projetos da pasta.

Os procuradores federais apresentaram ainda um pedido cautelar de afastamento de Salles para que a saída dele possa ocorrer antes do julgamento da ação. Para eles, a permanência de Salles no cargo pode trazer “consequências trágicas à proteção ambiental”.

Nas redes, a campanha pelo afastamento de Salles conta até mesmo com uma petição online para que as pessoas façam pressão pela queda do ministro.

“Salles tem uma longa trajetória de acusações, condenações e práticas antiéticas. Desde que assumiu o ministério, seu trabalho só ficou visível pelos erros. O ano de 2019 foi o de maior devastação ambiental da última década, com um aumento de 85% no desmatamento da Amazônia sobre o ano anterior. E os dados preliminares mostram que 2020 será ainda pior. Esteve do lado das empresas na tragédia de Brumadinho. Nada fez diante do vazamento de óleo no litoral brasileiro. Demitiu fiscais ambientais por cumprirem seu trabalho. Perdoou dívidas de quem desmata ilegalmente e vem espantando investidores internacionais”, escrevem os organizadores na petição.


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