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18 de dezembro de 2019, 17h10

Um sindicalismo para defender a revolução

Dirigente sindical cubano Carlos de Dios, do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, explica o papel do sindicalismo num país comunista

O sindicalista cubano Carlos de Dios (Foto: Gibran Mendes)

Por Paula Zarth Padilha com fotos de Gibran Mendes / CUT Paraná

Qual o papel do sindicalismo, essa representação da correlação de forças nas relações trabalhistas entre patrões e empregados, num país revolucionário símbolo da resistência comunista no mundo? Como se configura essa ferramenta de luta em outro sistema político, que nós, brasileiros, só conseguimos dimensionar como utopia distante?

Em entrevista exclusiva concedida na manhã desde terça-feira, 17 de dezembro, na sede da Central Única dos Trabalhadores do Paraná, com tradução livre, o cubano Carlos de Dios, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Cuba, defendeu a unidade internacionalista na América Latina e no Mundo e o papel da conscientização de classes desempenhado pelo movimento sindical na ilha. Ele está no Paraná acompanhando agendas do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada (Sintrapav).

Difícil imaginar os motivos de alguém não gostar de um pequeno país em extensão territorial, com pouco mais de 800 quilômetros de ponta a ponta, que é uma ilha paradisíaca, e que tem em seu sistema de governo revolucionário os princípios da solidariedade, da dignidade e do compartilhamento. Um país que enviou para mais de 160 países mais de 400 mil médicos. Que não tem analfabetismo. Mas que justamente por esses motivos precisa superar a pobreza gerada por anos de bloqueio internacional e que chega ao final de 2019 novamente criminalizado mundialmente. Ainda que a crise seja a do sistema capitalista.

Foto: Gibran Mendes

Carlos de Dios contextualizou a existência do sindicalismo cubano historicamente e ele surgiu mais de 20 anos antes da Revolução Cubana, consolidada em 1969 com a ascensão de Fidel ao poder e a implantação do regime comunista. O sindicalismo cubano, então, que tem como uma das missões representar os direitos dos trabalhadores, se reconfigurou também para defender internamente e externamente a revolução. Mas, nesse cenário, desempenha também papel político institucional. “A Constituição de Cuba reconhece o papel dos sindicatos. Os sindicatos cubanos podem fazer proposições legislativas. São parte das comissões eleitorais e apresentam candidaturas ao país”, explicou Dios.

O dirigente está em visita ao Brasil pela quarta vez. Já esteve em Porto Alegre, no Fórum Social Mundial, em Salvador e em São Paulo e, agora, visita Curitiba numa integração com os sindicatos cutistas locais que representam trabalhadores da construção. “Nós buscamos integração e unidade dos trabalhadores no mundo, especialmente nos países da América Latina. O que acontece no Chile, na Bolívia, no Equador é a criminalização do movimento sindical e social, uma influência genocida do governo Trump no mundo”, defende. O dirigente também mencionou o posicionamento de Bolsonaro na ONU, neste ano, que votou pelo embargo a Cuba. “São medicamentos, alimentos e combustíveis, que se tiverem em sua composição 10% de produto norte-americano, não passam”, explica.

O alinhamento com o movimento sindical de trabalhadores no Brasil, para Dios, passa por princípios internacionalistas de franqueza, transparência e sinceridade, disse, que são básicos da revolução cubana e possuem o respaldo do povo e dos trabalhadores da ilha. “Nós devemos multiplicar a solidariedade”.

Para Dios, a luta universal dos trabalhadores é contra uma exploração cruel, que ele chama de genocida, através de uma batalha de ideias para criar consciência. Mencionando diversas experiências de resistência na América Latina, o dirigente cubano afirma que as vias e ferramentas de atuação, lá e aqui, não são diferentes, pois caminham pela mesma direção.


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