Vídeo de Demétrio Magnolli atacando negros volta a bombar nas redes; veja aqui

Pesquisador Marcos Queiroz resgatou vídeo que foi compartilhado por Thiago Amparo. Filha de Wilson Veleci, que estava presente no ato em 2009, mostrou imagens ao pai.

Um dos vídeos que retratam fielmente o racismo estrutural no Brasil e a influência dos homens brancos que se dizem “formadores de opinião” na mídia liberal voltou a bombar neste sábado (9) depois que o advogado e professor de direito internacional e direitos humanos na FGV, Thiago Amparo, compartilhou tuite do pesquisador Marcos Queiroz.

“No mercado de ideias em que a ideia seja rejeitar que haja racismo neste país eu não mais participo. Cansei. Queria que meus colegas brancos carregassem um pouco deste fardo, no nosso lugar. To cansado. Vou ali pingar meu colírio alucinógeno pra esquecer que estamos ainda nisso”, escreveu Amparo.

No vídeo de 2009, Magnoli – que depois foi alçado a comentarista da GloboNews, dirigida por Ali Kamel, que escreveu “Nós Não Somos Racistas” – lança o livro “Uma Gota de Sangue” e debate sobre cotas raciais com uma bancada formada somente por brancos, a maioria homens.

As sinhás pretas da Folha

Colunista da Folha, Amparo publicou o artigo “As sinhás pretas da Folha” no dia 29 de Setembro indignado com o teor racista de um texto publicado no mesmo dia no jornal por Leandro Narloch, que foi demitido da CNN por comentários homofóbicos.

“Ao terminar de ler o texto, eu senti ânsia de vômito, literalmente; um misto de repugnância e desânimo. Não sabia que ler jornal me causaria isso. Ilustrando o texto, foram colocadas imagens da máscara de flandres, usada ora como instrumento de tortura escravagista, ora como meio de prevenção do banzo, o lento suicídio que consistia em ingerir terra até a morte. Folha, por que ainda precisamos nos masturbar coletivamente com a relativização da dor preta?”, indagou Amparo em seu artigo.

“O que está em jogo é se a pluralidade que este jornal preza inclui racismo. Jornais são documentos históricos: eu me reservo a dignidade derradeira de dizer com todas as letras que a coluna de Leandro Narloch é racista; que publicá-la faz do jornal conivente; e que em algum momento a corda do pluralismo esticou a tal ponto que nos enforcará”, emendou.

O artigo gerou mal-estar no Conselho Editoral da Folha. Após reunião na última quinta-feira (7) – quando o economista Joel Pinheiro da Fonseca defendeu que a Folha não pode afirmar que Jair Bolsonaro mente, porque, segundo ele, isso “afasta o leitor” – a filósofa e escritora Sueli Carneiro, ativista do movimento de mulheres negras, pediu o seu desligamento.

Sueli, um dos ícones da luta das mulheres negras no Brasil, integrava a nova composição do conselho desde o dia 18 de setembro, num esforço do veículo para demonstrar compromisso em “reforçar a diversidade”.

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Wilson Veleci

A vota do vídeo do lançamento do livro do comentarista da Globo gerou repercussão nas redes. A cientista social, Nailah Neves Veleci – a Preta Ijimú – comentou a publicação, lembrando a presenda do pai, Wilson Veleci, que aparece no vídeo com a camiseta “orgulho negro”.

“Esse fio do @marcosvlqueiroz resgatou imagens da luta das cotas raciais e eu preciso falar sobre o meu pai, Wilson Veleci, que é o homem de blusa preta escrita Orgulho Negro e que levanta a bandeira do MNU. Precisamos falar sobre esses heróis da luta negra q ñ sabemos os nomes. Eu falo com mt orgulho e sem humildade (pq foi muito suor e ameaça contra a minha família) que as cotas raciais só foram implantadas na UnB e reconhecidas no STF (e depois descaracterizadas no Congresso, apesar da resistência de parlamentares negros) graças a meu pai e esse grupo”, escreveu ela, dizendo que mostrou as imagens ao pai. “Disse que nós jovens temos tudo pra fazermos melhor que a geração dele”.

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Relembre o vídeo abaixo e veja os tuites de Thiago Amparo, Naila Veleci e o fio de Marcos Queiroz

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.

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