Vídeo mostra que idosa em marcha bolsonarista tropeçou e não foi atingida por objeto

Psicóloga acusada por militantes de ter atingido mulher com objeto chegou a ser presa, mas foi liberada mediante fiança

No último domingo (11) a cidade de Curitiba (PR) foi palco da Marcha da Família Cristã pela Liberdade, organizada por militantes bolsonaristas ligados a alas mais conservadoras de igrejas católicas e evangélicas. De acordo com informações do portal Bem Paraná, cerca de 200 carros participaram do ato.

Porém, além da ligação do presidente Jair Bolsonaro durante a realização do ato, um outro fato acabou se sobrepondo ao protesto. Em determinado momento, ovos e frutas começam a ser arremessados contra os manifestantes. Em seguida, uma idosa, que foi identificada como Eva Teresinha, caiu no chão. Na hora do ocorrido, os manifestantes atribuíram a queda de Eva aos objetos arremessados por Daniela Ribeiro Matheus, que é psicóloga. A polícia foi chamada e Daniela foi presa em flagrante.

Vídeo: Eduardo Matysiak

Porém, um vídeo compartilhado pelo perfil BCcovidFest mostra que a mulher não foi atingida pelos objetos arremessados e a própria Eva declarou ao site Plural que não pode afirmar se foi ou não atingida por algum objeto. “Fui participar da Marcha da Família, na Visconde Guarapuava e aconteceu o incidente. Realmente não sei dizer o que aconteceu. Quando vi, estava caída no asfalto com muitas pessoas me socorrendo”, revelou Eva.

A prisão de Daniela foi assinada pela delegada Hastrit Greipel. Nos autos, ela escreve que testemunhas viram “mamão, saco de gelo, maracujá e goiaba que foram arremessados do apartamento da psicóloga, que mora no 13º andar de um prédio na Visconde de Guarapuava. A Polícia Civil entrou no edifício e prendeu Daniela em flagrante pelo crime de “homicídio qualificado”. A psicóloga deixou a polícia depois de pagar a fiança.

À polícia, Daniela afirmou que jogou dois ovos pela janela por “discordar das causas apoiadas pelo movimento que ali se realizava”.

Juliana Berthold, que é advogada e responsável pela defesa de Daniela, utiliza o vídeo para refutar a ideia de que Eva foi atingida por algum objeto arremessado pela psicologia.

“A versão defensiva centra-se na discussão principal dos autos: foi a Daniela responsável pelo ferimento identificado na vítima? A defesa entende que não. A análise não substitui a perícia que será realizada, mas parece que não foi atingida por quaisquer objetos. Em verdade, ela acaba por tropeçar durante a passeata, busca amparo em um colega, não logra êxito e acaba caindo ao chão, causando os ferimentos”, diz a defesa de Daniela Ribeiro.

Após o ocorrido, a psicóloga Daniela Ribeiro se tornou alvo de ataques massivos da rede bolsonarista. Por conta disso, deletou os seus perfis nas redes sociais.

Nas redes, algumas pessoas lembraram da bolinha de papel que foi atacada no então candidato à presidência da república, José Serra (PSDB), em 2010, que transformou a cena em um factoide e até uma tomografia na cabeça chegou a fazer.

Com informações do Plural

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).