Bolsonarista que ameaçou Lula com arma é acusado de bater na ex-esposa

Mesmo com laudo do IML comprovando a agressão, MP arquivou inquérito no âmbito da Lei Maria da Penha contra José Sabatini alegando "versões contraditórias"

bolsonarista José Sabatini, empresário de Arthur Nogueira (SP) que aparece em vídeo ameaçando o ex-presidente Lula empunhando uma arma de fogo, é acusado de agressão por sua ex-esposa.

A agressão teria ocorrido em 2010 e ele foi investigado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) no âmbito da Lei Maria da Penha. A promotoria, no entanto, arquivou o inquérito seis meses depois alegando “versões contraditórias entre as partes”, mesmo com um laudo do Instituto Médico Legal (IML) comprovando que a mulher foi agredida.

As informações são do site Metrópoles, que teve acesso à íntegra do processo.

Segundo o site, em dezembro de 2010, José Sabatini e sua ex-esposa, Antonieta Sabatini, entraram em uma discussão sobre a venda de um imóvel e o bate-boca teria resultado na agressão física. No boletim de ocorrência, a mulher relatou que o empresário a desferiu golpes no braço, no pescoço e na cabeça. O filho do casal, Amilcar Sabatini, teria tentado, inclusive, intervir para defender a mãe.

À polícia, o empresário afirma que ele, na verdade, teria sido agredido pela esposa e pelo filho. Antonieta foi atendida no Pronto-Socorro Municipal de Artur Nogueira e passou por exames no Instituto Médico Legal (IML), que comprovaram lesões motivadas por agressão. O empresário, apesar de recomendado a fazê-lo, entretanto, não fez o exame de corpo de delito para comprovar sua versão.

À época das investigações, Santini ficou proibido de se aproximar a ex-esposa, de seus familiares de sua residência.

Ao arquivar o processo, o MP informou que “há nos autos apenas as versões contraditórias das partes envolvidas, não se podendo aferir quem está retratando fielmente a verdade do ocorrido e qual delas visa apenas deturpar a dinâmica dos fatos, não se logrando esclarecer qual dos envolvidos iniciou as agressões e quais deles apenas se defendeu dos ataques perpetrados”.

Investigado por ameaça a Lula

Sabatini foi encontrado pela Polícia Civil, na quarta-feira (17), em Artur Nogueira (SP), região de Campinas. Ele aceitou ir à cidade de São Paulo, capital do estado, para prestar depoimento. O bolsonarista divulgou um vídeo no qual ameaça o ex-presidente Lula.

No vídeo, divulgado no sábado (13), ele usa camisa e bandeira do Brasil e uma arma em punho. Sabatini usa fake news sobre “roubo de R$ 84 milhões” do Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT) para ameaçar Lula.

Ele xinga o ex-presidente e diz: “Não tenta transformar o meu país numa Venezuela. Eu vou derramar meu sangue, mas vou lutar por meu país. Está entendendo o recado? A minha parte eu vou fazer. […] Você vai ter problema, hein cara”, diz Sabatini, mostrando a arma em sua mão.

O inquérito policial foi aberto nesta segunda-feira (15), a pedido do governador João Doria (PSDB). A polícia iniciou apuração dos crimes de ameaça, incitação ao crime, calúnia, porte ilegal de arma de fogo e disparo de arma de fogo.

Na terça (16), a 7ª Vara Cível de São Bernardo do Campo (SP) proibiu Sabatini de continuar divulgando o conteúdo, sob pena de multa diária de R$ 1 mil até R$ 100 mil. O juiz Fernando de Oliveira Domingues Ladeira entendeu que o vídeo extrapolou todos os limites da liberdade de expressão.

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Ivan Longo

Jornalista e repórter especial da Revista Fórum.