Casos de feminicídio explodem no Brasil desde a véspera do Natal

País teve ao menos nove assassinatos violentos de mulheres neste fim de ano. Parte dos crimes foi causada por ex-companheiros e na frente dos filhos

Mais um caso de feminicídio na madrugada desta terça-feira (29) em Pires do Rio, no sudeste de Goiás, leva a pelo menos nove o número de assassinatos de mulheres durante o atual período de festas de fim de ano no Brasil.

Parte dos crimes foi provocada por ex-companheiros que não aceitaram a separação. Ao menos dois envolveram uso de facas e ocorreram na frente dos filhos.

No caso mais recente, Cibele Alves Rodrigues foi morta pelo marido porque ela não queria ter filhos. Júlio Dutra de Souza, de 33 anos, empurrou a vítima e ela bateu a cabeça no box do banheiro. Ela foi encontrada por policiais na cama do casal, já sem vida.

Na véspera do feminicídio em Pires do Rio, um homem também foi preso após matar a companheira e atirar contra a enteada de 13 anos em Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul.

A filha da vítima presenciou as agressões e tentou prestar socorro à mãe, mas também foi atingida pelos disparos. A mulher morreu no local, enquanto a adolescente foi socorrida e segue em atendimento hospitalar.

Além dos casos no Rio Grande do Sul e Goiás, outros assassinatos aconteceram em Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro, Pernambuco e Rio Grande do Sul.

No caso de Minas Gerais, uma mulher foi morta em Três Corações, na madrugada do domingo (27). Camila Miranda Bandeira, de 32 anos, foi assassinada a facadas pelo companheiro, que foi preso à tarde. O crime aconteceu na casa da família, na frente das quatro filhas do casal, todas menores.

Além dessas, outras seis mulheres também foram vítimas de feminicídio no país apenas nos últimos dias: Viviane, Thalia, Loni, Anna Paula, Aline e Evelaine.

Na véspera de Natal, Viviane morreu com 16 facadas desferidas pelo ex-marido na frente das três filhas pequenas; Thalia foi morta a tiros pelo ex-companheiro diante dos parentes; Evelaine morreu ao ser baleada pelo namorado durante a ceia; Loni recebeu um tiro na cabeça pelo ex-companheiro, que cometeu suicídio.

No dia 25, Anna Paula foi morta a tiros pelo marido dentro de casa, onde também estava a filha de 12 anos; e Aline foi baleada pelo ex-companheiro também no interior da residência.

O Atlas da Violência 2020, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), verificou que, entre 2013 e 2018, a taxa de homicídio de mulheres fora de casa diminuiu 11,5% no país, enquanto as mortes dentro de casa aumentaram 8,3%.

No mesmo intervalo de tempo, houve um aumento de 25% nos assassinatos de mulheres por arma de fogo dentro das residências.

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Luisa Fragão

Jornalista.

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Renato Rovai
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