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03 de junho de 2019, 16h58

Coletivo Ni Una Menos volta às ruas na Argentina após dois novos feminicídios

A mobilização das feministas argentinas nasce como resposta a dois novos casos de mulheres assassinadas por questão de gênero, e também por um informe apontando que uma mulher é morta no país a cada 32 horas.

Reprodução

Mais dois casos de feminicídio conhecidos durante o fim de semana, ambos ocorridos na província de Córdoba (Argentina), levaram o coletivo Ni Una Menos a convocar uma nova manifestação no final da tarde desta segunda-feira (3/6).

A concentração está marcada para as 17h de Buenos Aires (mesma hora de Brasília), em frente ao Congresso, e deverá seguir dali até a Praça de Maio, em frente à Casa Rosada.

A mobilização das feministas argentinas nasce como resposta a dois novos casos de mulheres assassinadas por questão de gênero. Um deles foi o de Alejandra Palavecino, uma jovem de 18 anos morta pelo namorado, na cidade de Anisacate, província de Córdoba. O caso chocou a opinião pública porque, além do mais, possuía antecedentes: em 2017, o pai de Alejandra denunciou as agressões que ela sofria do mesmo garoto, com quem tinha um filho em comum.

A outra vítima do fim de semana vivia na cidade de General Viamonte, e se chamava Jésica González. Foi assassinada pelo seu companheiro, que tentou se suicidar depois, mas não conseguiu, e agora se encontra internado em um hospital, sob custódia policial. Os filhos de Jésica presenciaram o crime, mas não sofreram lesões físicas.

O coletivo Ni Una Menos surgiu em 2015 com a intenção de denunciar o problema da violência machista na Argentina, através de manifestações multitudinárias, que acontecem periodicamente. A maior das mobilizações do grupo foi justamente a primeira, em junho de 2015, com cerca de 300 mil pessoas. Em junho de 2018, a manifestação contou com cerca de 220 mil pessoas.

Informe sobre feminicídios na Argentina

Além das mortes de Alejandra e Jésica, outra razão para a marcha do Ni Una Menos desta segunda-feira é um informe apresentado pela organização Casa del Encuentro, que mostrou uma radiografia dos casos de feminicídio no país. Segundo as cifras divulgadas, a Argentina produziu um feminicídio a cada 32 horas nos últimos 11 anos. A horrível coincidência das duas vítimas deste fim de semana e que seus crimes serviram para confirmar o ritmo em que acontecem as tragédias.

O levantamento da ONG analisa os casos desde 2008 até 2019, e aponta um total de 2952 feminicídios de mulheres e meninas. Ademais, todas essas mortes deixaram 3717 pessoas órfãs, sendo 64% delas menores de idade. Além disso, 62% dos autores dos crimes namorados, maridos ou ex namorados ou maridos das vítimas.

Como se esperava, as armas de fogo se mostraram a maior ameaça para a vida as mulheres: 788 das vítimas foram mortas a balas, 696 foram apunhaladas e 458 morreram por agressões físicas.

Também segundo o informe, 66% das vítimas são mulheres entre 19 e 50 anos, um dado que contrasta, em um aspecto, com a idade da maioria dos feminicidas, que está entre os 31 e 50 anos. Outro dado a se destacar é que 18% dos feminicidas se suicidou após cometer o crime.

A ONG anunciou que também prepara um levantamento sobre os chamados “feminicidios vinculados”, que se referem às pessoas que foram assassinadas pelo feminicida porque tentaram defender a vítima de alguma forma – nesses casos, uma grande parte das vítimas são filhos da mulher, e muitas vezes também do agressor.

Com informações do Página/12.


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