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18 de outubro de 2019, 10h11

Deputada federal do PSL pede fim do aborto legal e seguro para mulheres que foram estupradas

Principal argumento do PL é que "não dá para 'desestuprar' uma mulher". O texto também alega que não é justo "matar" o feto se o estuprador poupou a vida da mulher

Deputada Christine Tonietto (Foto: Câmara dos Deputados)

A deputada federal Christine Tonietto (PSL-RJ) quer alterar a legislação que permite que mulheres vítimas de estupro interrompam sua possível gestação de maneira segura e com ajuda de um médico. O texto do projeto de lei proposto por Tonietto e pelo deputado Filipe Barros (PSL-PR) tem como argumento principal que “não dá para ‘desestuprar’ uma mulher” e defende que não é justo “matar” o feto se o estuprador poupou a vida da mulher.

“O autor do estupro ao menos poupou a vida da mulher, senão ela não estaria grávida. Pergunta que não quer calar: é justo que se faça com a criança o que nem sequer o agressor quis fazer com a mãe: matá-la?”, diz o texto. O tema é a principal bandeira do mandado da advogada católica de 27 anos, sendo ela uma das maiores vozes do partido sobre o assunto.

O texto também diz que não cabe a mulher decidir sobre a vida do feto e argumenta que cinquenta por cento das crianças concebidas são meninas. “Se uma mulher deve decidir, pergunto eu: qual delas? A grande ou a pequena? A de dentro ou a de fora? A que sobreviveu à violência ou aquela ameaçada de morte no ambiente intrauterino?”, alega.

Outro argumento que ronda o texto da deputada é que o “nasciturno” tem direito à vida a partir de sua concepção e isso está acima do “ato culpável” do estupro. “Das três pessoas envolvidas no crime do estupro — o estuprador, a mulher estuprada, a criança concebida — certamente não se poderá negar a absoluta inocência da última”, defende.

Conforme apurou Marcos Candido, da Universa, Chris Tonietto foi eleita com quase 40 mil votos em 2018, financiada com dinheiro do fundo de campanha do PSL. A parlamentar também foi beneficiada pelo investimento obrigatório de dinheiro público em candidaturas femininas. Além do PL que pede fim do aborto em casos de estupro, a deputada do PSL apresentou projetos para instituir a “Semana Nacional do Nascituro” e para incluir acesso a direitos desde a concepção.


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