“Machistas e oportunistas”: Associação de magistrados aproveita feminicídio de juíza para pedir mais proteção a “JuizEs”

Denúncia foi feita pela advogada feminista e professora de Direito Penal e Criminologia da UFRJ, Luciana Boiteaux. "Querem surfar na comoção para pedir penas mais altas para crimes contra 'juízES'"

Advogada feminista e professora de Direito Penal e Criminologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Luciana Boiteux denunciou nas redes sociais o tom “machista e oportunista” de uma nota da Associação Nacional para Defesa da Magistratura (ADM) divulgada em razão do feminicídio da juíza carioca Viviane Vieira do Amaral Arronenzi, brutalmente assassinada pelo ex-marido, o engenheiro Paulo José Arronenzi, em frente às filhas do casal na véspera do Natal.

“E a ‘associação nacional para defesa de magistratura’ que atribui o feminicídio da Juíza Viviane a ‘violência que muitos JuízES sofrem silenciosamente’, e pede ‘urgentes soluções pelo clamor da sociedade por segurança pública e leis penais mais severas’. Machistas e oportunistas!”, tuitou Luciana, que é primeira suplente de vereadora pelo PSOL no Rio.

A nota, assinada pelo presidente da associação, Luiz Gomes da Rocha Neto, diz que “o assassinato da colega Viviane, eviscerou as diversas violências que muitos juízes sofrem silenciosamente”.

“A ADM vem cobrar dos órgãos de segurança a pronta apuração do ocorrido, ao tempo em que também observa a necessidade de órgãos como o Conselho Nacional de Justiça – CNJ e o Supremo Tribunal Federal – STF, repensarem suas posições em relação à proteção integral da carreira da Magistratura”, diz o documento (leia a íntegra).

Para Luciana, os magistrados “querem surfar na comoção para pedir penas mais altas para crimes contra ‘juízES'”.

“Não reconhecem nem feminicídio nem motivação de gênero no assassinato, como se juízes homens fossem assassinados de forma brutal como essa por suas mulheres. E tratam como questão de ‘segurança pública’. Que raiva, que revolta, a que ponto chegou nosso Judiciário”, escreveu a professora.

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.