quinta-feira, 22 out 2020
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Mais da metade das mulheres que já sofreram assédio sexual no trabalho são negras

A sensação de insegurança também é grande entre mulheres que ganham até dois salários mínimos. Apenas 5% dizem ter buscado ajuda no departamento de RH

Pesquisa do Linkedin Brasil e Think Eva revela que 47% das mulheres afirmam já ter sofrido assédio sexual no ambiente de trabalho. Destas, 52% são negras. Estudo também mostra que empresas têm falhado em conseguir acolher e solucionar as denúncias.

A pesquisa “Trabalho sem assédio”, que ouviu 381 mulheres trabalhadoras no Brasil, também identificou um recorte de classe em relação aos assédios. A sensação de insegurança é maior entre as mulheres negras (54%) e entre aquelas com renda de até dois salários mínimos (51%). Os índices chegam a ser 10 pontos percentuais mais altos se comparadas as mulheres negras com outras raças.

O estudo mostra ainda que apenas 5% das entrevistas dizem ter recorrido ao departamento de RH da empesa após um caso de assédio. Metade delas, no entanto, contou apenas para pessoas próximas. Enquanto isso, uma a cada seis mulheres pediu demissão.

De acordo com Ana Claudia Plihal, executiva de Soluções de Talento no Linkedin, a pandemia intensificou o debate em relação ao tema. “Durante a pandemia houve aumento de 71% no conteúdo relacionado ao tema no LinkedIn. Queríamos entender se era exclusivo do mundo online ou reflexo do mundo offline. Concluímos que existem os dois, com o agravante de que o agressor acaba se sentindo mais protegido no mundo online”, afirmou em entrevista ao jornal Estado de S.Paulo.

Luisa Fragão
Luisa Fragão
Jornalista.