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17 de junho de 2019, 11h48

Marta aproveita Copa do Mundo Feminina para promover campanha pela igualdade de gênero

Desdenhada pelas grandes empresas de material esportivo, a jogadora, uma das maiores do mundo em todos os tempos, passou a usar chuteiras sem patrocínio, com logo que defende a igualdade salarial entre homens e mulheres

A craque Marta mostra sua chuteira especial, com o símbolo da campanha pela igualdade salarial entre gêneros (foto: ONU Mulheres)

Na partida contra a Austrália, válida pela Copa do Mundo Feminina, que está sendo disputada na França, a craque Marta, a maior futebolista brasileira e uma das maiores do mundo em todos os tempos, causou polêmica por entrar em campo com uma chuteira preta com um símbolo que mescla tons de azul e rosa, que representa a luta pela igualdade de gênero.

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Não apenas isso: ao fazer o seu gol, o primeiro do Brasil na derrota de 3×2, Marta fez um gesto apontando para o emblema em sua chuteira, que faz parte de uma campanha da ONU Mulheres chamada “Go Equal” (“vamos ser iguais”) em favor da igualdade salarial entre homens e mulheres. Em 2018, a jogadora foi nomeada embaixadora da entidade internacional.

Mas a escolha de Marta como símbolo da campanha não se deu somente por causa do vínculo já existente com a ONU Mulheres. Embora seja uma das maiores futebolistas de todos os tempos, Marta não conseguiu fechar patrocínio com nenhuma das grandes empresas do mercado esportivo, devido ao fato de que nenhuma delas ofereceu uma proposta à altura do valor que costuma ser dado aos jogadores homens.

Marta ganhou seis vezes o prêmio de Melhor Jogadora do Mundo da FIFA (cinco vezes consecutivas, entre 2006 e 2010, e também em 2018). Além disso, nesta mesma partida contra Austrália, e com este gol da polêmica comemoração, a atleta se tornou a única pessoa na história a marcar em cinco Copas do Mundo consecutivas, feito que nenhum homem jamais conseguiu. De quebra, também igualou a marca do alemão Miroslav Klose, com 16 gols em mundiais, podendo superá-lo até o final do torneio, para se isolar em um novo recorde.

Nenhum desses números, porém convenceu as empresas de material esportivo a valorizá-la tanto quanto os jogadores homens. Por isso, a resposta de Marta foi jogar esta Copa do Mundo Feminina com chuteiras sem patrocínio, e transformar sua participação na competição em uma ação pela campanha “Go Equal”. Um golaço da craque brasileira, muito além das quatro linhas.


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