quarta-feira, 30 set 2020
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Menina de 16 anos denuncia estupro por menor e ganha solidariedade nas redes

Uma menina de 16 anos denunciou através das redes sociais, na noite desta terça-feira (18), que sofreu um estupro por outro menor de idade no dia anterior e foi desacreditada na delegacia ao fazer boletim de ocorrência. Nas redes sociais, internautas se solidarizaram com o caso de Mille e viralizaram a tag #justicapormille.

No Instagram, a adolescente conta que, na segunda-feira (17), saiu para um encontro com um amigo e mais um casal. Os quatro estavam na casa da namorada do primo deste amigo e, em um certo momento, Mille foi para um dos quartos da casa com ele.

“Até certo momento foi consensual, até quando ele quis me penetrar. Eu tenho um pacto comigo mesma por conta de um trauma em que eu só transaria com alguém que eu me sentisse a vontade, confiasse ou namorasse com essa pessoa, que não foi o caso dele”, conta Mille no Instagram.

“Então ele veio pra cima de mim, e não saía, eu tentava empurrar, e ele não saía, e isso me deixava com mais medo, e então ele fez o trabalho, e eu falava ‘para’, ‘por favor, tá doendo’, ‘eu não quero’, ‘para, por favor'”, continuou.

A jovem conta ainda que o menino ironizava os pedidos para interromper a relação. “Ele falava coisas absurdas como ‘já tá cansada? Eu não quero ir só até aonde tu aguenta, quero ir até onde eu quero’, ‘eu quero gozar essa noite’. E eu já querendo chorar por estar naquele inferno”, conta.

Em prints de conversas compartilhados por ela na rede social, o garoto argumenta que o sexo foi consensual e que achou que Mille estava “brincando”.

Delegacia

Mille conta que, ao ligar para a delegacia para consultar detalhes sobre o processo de corpo de delito e boletim de ocorrência, a mulher que a atendeu disse que o caso não é caracterizado como estupro. O argumento dela, segundo a jovem, é que estupro não ocorre em relações sexuais com “namorado”.

“‘Quando ela tá tendo relação com o namorado (detalhe: ele não era meu namorado) e ela pede pra parar isso não é estupro’, ‘olha se fosse a minha filha, eu levaria ela num psicólogo pra ela aprender a se relacionar melhor'”, relata Mille.

“O menino não teria pena por ser menor de idade, ter influência e dinheiro. Eu só quero que isso circule e me ajudem a ter a minha justiça, porque nenhuma mulher merece passar por isso”, finaliza a adolescente.

Confira o relato completo:

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PT.1 oi, meu nome é Mille, e eu fui estuprada com 16 anos. como tudo começou? eu explico, dia 17 de agosto de 2020 a noite, cerca de umas 18:40, eu saí com um menino que minha amiga me apresentou, ou seja, eu considerava ele meu amigo também tecnicamente porque nós conversamos, ele me chamou pra sair pra comer pizza. ok, ele veio me buscar em casa, ele, o primo, e a namorada do primo, não conseguimos entrar na pizzaria porque estávamos sem máscara, mas tudo bem, pedimos a pizza e fomos para a casa da namorada do primo dele. comemos lá, conversamos e depois o primo e a namorada foram para o quarto dela e mandaram eu e o garoto irmos para o quarto da mãe dela! fomos, okay, então ele começou a me beijar, e tudo bem, meu amigo mas tava tudo bem, continuei o beijo, até que ele começou a ficar sem controle, até certo momento foi consensual, até quando ele quis me penetrar, eu tenho um pacto comigo mesma por conta de um trauma em que eu só transaria com alguém que eu me sentisse a vontade, confiasse ou namorasse com essa pessoa, que não foi o caso dele, então ele veio pra cima de mim, e não saia, eu tentava empurrar, e ele não saia, e isso me deixava com mais medo, e então ele fez o trabalho, e eu falava “para”, “por favor, tá doendo”, “eu não quero”, “para, por favor”. eu pedia pra ele ir buscar água pra mim porque eu fingia cede pra ele sair do quarto que aliás estava trancado, e mandava mensagens para os meus amigos, ou se não eu ia no banheiro(que era dentro do quarto). ele falava coisas absurdas como “já tá cansada? eu não quero ir só até aonde tu aguenta, quero ir até onde eu quero”, “eu quero gozar essa noite”. e eu já querendo chorar por estar naquele inferno. quando eu cheguei em casa eu me tranquei no quarto e comecei a chorar, muito, eu urinava e ardia muito. e ele deu o cínico e veio falar comigo dizendo o mesmo que eu consensuei tudo. (prints nos stories, e nos destaques #justiçapormille) Quando foi hoje de manhã, eu acordei com dor na virilha/coxa pq foi o lugar onde ele mais forçou e já chorando muito. E tive a coragem de contar para os meus pais, em que o primo, o pai e o garoto se encontraram com meu pai e contaram a versão dele+

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Luisa Fragão
Luisa Fragão
Jornalista.