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14 de fevereiro de 2020, 15h19

“Não existe feminismo na direita”, diz filósofa Marcia Tiburi

Marcia Tiburi (Arquivo)

A filósofa Marcia Tiburi participou do programa Fórum Onze e Meia desta sexta-feira (14), onde falou sobre a polêmica sobre como fazer a crítica a mulheres fascistas, que teve início com a nomeação de Regina Duarte como secretária nacional de Cultura.  

“Houve uma cobrança de que as feministas defendessem mulheres que têm posturas fascistas. Para muitas pessoas a atitude feminista por excelência deveria ser aquela de sempre defender mulheres”, diz Tiburi, que discorda desse pensamento.

“Depende muito do conceito de mulher, do conceito de feminismo. O feminismo que defende simplesmente as mulheres pelo simples fato de elas serem mulheres é um feminismo fundamentalista e altamente antifeminista. Dizer que o feminismo deve simplesmente defender mulheres é algo falacioso e perigoso. Algo que não toca nas verdadeiras questões do feminismo crítico, analítico, consistente, cuidadoso, que busca emancipar e produzir autonomia na vida de todas as pessoas”, explica.

Segundo a filósofa, é preciso analisar o feminismo de maneira interseccional. “Levando em consideração que os corpos marcados como mulheres numa sociedade patriarcal são corpos que vivem uma opressão específica, mas ao mesmo tempo não podemos tratar as opressões de uma maneira estanque, que é o que a gente faz nesse feminismo chamado de interseccional. É o feminismo que leva em conta raça, classe e também gênero, sexualidade e outros fatores de opressão.”

Tiburi lembra que sempre houve na história mulheres fascistas, isso porque não é a categoria de opressão que leva à capacidade de luta. Ou seja, não é porque uma mulher é vítima do machismo que ela se torna uma feminista.

Além de encarar o feminismo de forma interseccional, Tiburi destaca que também combatemos o machismo via luta de classes. “O patriarcado é o capitalismo aplicado no gênero. Se você não lutar contra o neoliberalismo e a extrema-direita não tem chance de você desmontar o patriarcado. Não existe feminismo na direita”, afirma.  

 A filósofa ainda explicou que “o discurso de ódio carrega uma ideologia, uma visão de mundo. A esquerda é de uma maneira geral humanista, a extrema direita não é, é herdeira da barbárie, do mundo iletrado, da grosseria verbal. Isso explica o ódio”. É bom ficar alerta, pois há “uma tentativa de instrumentalização do feminismo por parte da tendência fascista dominante, das milícias fascistas que estão em operação no nosso país”.

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