“Não podemos debater feminicídio sem falar de racismo estrutural”, diz presidente de ONG feminista

Levantamento de 2020 aponta que cerca de 75% das mulheres assassinadas no Brasil são negras

Durante a pandemia do coronavírus, houve um aumento no número de mulheres vítimas de violência doméstica no Brasil. Além do gênero, a violência também apresentou recortes de raça: segundo o levantamento do Monitor da Violência, as principais vítimas de feminicídio são mulheres negras.

“Não podemos debater feminicídio sem falar de racismo estrutural”, afirma Márcia Soares, diretora-executiva da Themis, organização feminista criada em 1993 por um grupo de advogadas e cientistas sociais.

“Se chegar uma mulher negra na delegacia, ela não será atendida como uma mulher branca. Isso também mostra uma vulnerabilidade das mulheres negras nos serviços de Justiça”, completou.

Ainda segundo o levantamento do Monitor de Violência, cerca de 75% das mulheres assassinadas no primeiro semestre de 2020 no Brasil são negras. A maioria desses crimes foi praticada por companheiros e ex-companheiros das vitimas.

Dados sobre as raças das vítimas de violência são importantes para entender como os crimes acontecem de formas diferentes em certos grupos populacionais, para que então seja possível pensar em políticas públicas específicas.

Políticas essas que, até então, são insuficientes. Segundo levantamento realizado pela revista AzMina, apenas 7% dos municípios do país possuem uma delegacia da mulher.

Além do desamparo em termos de infraestrutura, a diretora da Themis também chama atenção para a autorização da violência presente no governo Bolsonaro, o que pode contribuir para um aumento de mortes.

“É um governo que autoriza a violência e, de alguma forma, legitima a violência doméstica. É um governo que enfrenta um conceito básico, que é o conceito de gênero. Se você desconsidera gênero, você não tem como combater as violências”, afirma a especialista.

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Luisa Fragão

Jornalista.

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