Neurocientista é alvo de mansplaining citando seu próprio artigo

"Acabaram de me dizer que eu deveria ler o que Stanton descobriu sobre a dor. Eu sou Stanton", escreveu.

A neurocientista Dra. Tasha Stanton vivenciou no último mês uma situação de mansplaining em uma conferência. Durante a sua palestra, um espectador sugeriu que ela conferisse um artigo para saber mais sobre o tema, que, na verdade, havia sido escrito por ela mesma.

Stanton depois contou a situação no Twitter e falou sobre esse tipo de acontecimento. “Acabaram de me dizer que eu deveria ler o que Stanton descobriu sobre a dor. Eu sou Stanton”, escreveu.

O termo mansplaining é utilizado para designar situações em que homens interrompem mulheres para “explicar” um assunto do qual julgam saber mais do que elas, mesmo que a pessoa falando seja uma especialista reconhecida sobre o assunto.

Sobre o acontecimento, Stanton ainda comentou que não espera que as pessoas a reconheçam fisicamente, mas pediu para que as pessoas tenham cuidado em conferências ao assumir que alguém não sabe do que está falando. “Eu literalmente respondi: eu sou Stanton”, escreveu. “Falei a ele que era um grande elogio ele me recomendar o meu artigo, que fico feliz que ele gostou e achou útil; mas que, no futuro, ele talvez quisesse ser cuidadoso para não assumir que as pessoas não sabem das coisas.”

Stanton é professora da Universidade do Sul da Austrália (UniSA) e já publicou mais de 60 artigos científicos em periódicos. Doutora pela Universidade de Sidney, ela pesquisa sobre os motivos da dor e os fatores que a fazem não desaparecer, às vezes. Também analisa o impacto da atividade física na recuperação de dores crônicas e atualmente é bolsista do Conselho Nacional de Pesquisa em Saúde e Medicina (NHMRC) da Austrália.

Avatar de Gabriella Sales

Gabriella Sales

Estudante de Jornalismo na ECA-USP e estagiária da Fórum.

Você pode estar junto nesta luta

Fórum é um dos meios de comunicação mais importantes da história da mídia alternativa brasileira e latino-americana. Fazemos jornalismo há 20 anos com compromisso social. Nascemos no Fórum Social Mundial de 2001. Somos parte da resistência contra o neoliberalismo. Você pode fazer parte desta história apoiando nosso jornalismo.

APOIAR