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25 de junho de 2018, 14h22

O machismo sem fronteiras

A respeito de vídeos machistas na Rússia, durante a Copa, a vereadora de Niterói, Verônica Lima, diz: “Se algo de positivo pode ser tirado desse ato odioso contra uma mulher, é a certeza de que nossa mobilização se fortalece mais a cada dia”

(Foto: Reprodução Facebook)

Por Verônica Lima*

A Copa do Mundo é uma celebração do multiculturalismo, ou ao menos um esforço nessa direção. Mas os jogos mundiais realizados na Rússia este ano têm mostrado também como a violência contra as mulheres não reconhece fronteiras. Temos visto, todos os dias, um machismo globalizado e uma misoginia que não se intimida com os entraves linguísticos. Ao contrário, se utiliza deles.

Embora esses atos execráveis estejam sendo realizados por homens de diferentes nacionalidades, é importante considerar alguns pontos no que se refere aos brasileiros envolvidos em um deles. Um vídeo que mostra o assédio sexual de um grupo de homens brasileiros contra uma mulher russa circulou pela internet nos últimos dias e causou inúmeras reações de famosos e anônimos. As imagens mostram homens brancos e de classe média alta incentivando uma mulher – que visivelmente não compreende português – a repetir frases obscenas e autodepreciativas.

Machismo, assédio, misoginia, a atitude desses homens mostra para o mundo a face perversa e cínica das violências sofridas por nós mulheres cotidianamente. Um dos participantes do vídeo, o engenheiro Luciano Gil Mendes afirmou ser um pai de família casado, que estava sob o efeito do álcool. Trata-se do cinismo rotineiro do patriarcado brasileiro. Acobertam-se sob valores como casamento, família e bons costumes quando veem expostas suas atitudes ignóbeis.

Segundo dados publicados pelo Fórum Nacional de Segurança Pública (2015), uma mulher é estuprada no Brasil a cada 11 minutos. Para o Ministério da Saúde, se levarmos em consideração os casos que não são registrados, esses números podem subir para aproximadamente 500 mil estupros por ano no país. Isso acontece porque a cultura machista não apenas nos violenta, mas também nos silencia dos modos mais perversos possíveis.

Se algo de positivo pode ser tirado desse ato odioso contra uma mulher, é a certeza de que nossa mobilização se fortalece mais a cada dia. Logo que o vídeo começou a circular na internet, viralizou e expôs os responsáveis, que estão sendo punidos com a perda dos cargos que ocupam e devem ser investigados pela justiça russa. Não podemos dar nenhum passo atrás. Mexeu com uma de nós, mexeu com todas. Machistas não passarão!

*Verônica Lima começou sua trajetória política no movimento estudantil e foi a primeira vereadora negra eleita da história de Niterói. Já atuou também como Secretária de Assistência Social e Direitos Humanos na cidade. Atualmente, ela trabalha em seu segundo mandato de vereadora com o compromisso de defender os direitos humanos e das mulheres, além de fortalecer as políticas públicas de assistência social.


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