quarta-feira, 30 set 2020
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Policiais femininas podem ser punidas por fazerem desafio bem-humorado no Tik Tok

A decisão da corporação foi bastante criticada nas redes sociais e apontada como machista

Sete policiais femininas do Piauí participaram de um desafio, no aplicativo Tik Tok, onde elas aparecem fardadas e depois com roupas convencionais. Cada uma delas está dentro de sua própria casa, mostrando que dentro de uma farda tem uma pessoa, que essa pessoa é policial e que, também, é uma mulher.

A Polícia Militar do Piauí, no entanto, não achou legal a brincadeira, e abriu um inquérito e duas sindicâncias para apurar o “uso indevido de uniforme” e pela “falta de autorização no uso de fardamento.”

Nesta quinta-feira (4), Fórum mostrou um capitão da PM de São Paulo dançando soul music, ao vivo, fardado. Pela descontração, o policial bombou na internet, recebendo diversos elogios. Ele chegou até mesmo a dar várias entrevistas na televisão, comentando o sucesso do gesto inusitado.

No Youtube, há diversos vídeos de policiais masculinos fardados cantando rap, andando de sakte, jogando capoeira, dançando forró. Ou seja, mostrando que também são pessoas “normais”.

O que as policiais fizeram vai no mesmo sentido. A sargento Elineuda Morais disse como encarou a iniciativa: “Eu vi que era uma forma de enaltecer a beleza da policial e valorizar o nosso trabalho, que a mulher pode estar no lugar que quiser. Eu convidei as meninas e elas aceitaram. Cada uma gravou de sua casa, eu juntei e saiu o vídeo”, explica.

A PM do Piauí acha que o gesto das garotas não dignifica os valores da corporação: “a utilização do uniforme é regida por legislação específica sendo um dos principais símbolos que representam a profissão militar. Ele reflete o valor e a tradição castrense”, diz a corporação em nota.

A sargento Elineuda não compreende do que estão sendo acusadas: “Não sei o motivo de estarem fazendo isso. Eles enviaram uma portaria para ser instaurada e apurar os fatos. Mas na portaria não está dizendo o que nós fizemos, só diz que foi transgressão, mas lá não aponta nenhuma. Então nós nem sabemos do que estamos sendo acusadas”.

Não foram apenas as mulheres policiais que ficaram surpresas com a medida administrativa. Na internet as pessoas também estranharam a atitude da corporação. Comentando o vídeo no Youtube, Arnaldo Oliveira de Souza Júnior resumiu: “O setor da PM que está questionando um vídeo desse deveria tá preocupado com outros desafios que a PM precisa transpor. Acredito até que um vídeo (destes) melhora a imagem que a PM tem junto a sociedade. Como por exemplo o vídeo do capitão Duarte dançando. Muito legal. Meninas vocês estão de parabéns”, elogiou.

Também em nota, a Polícia Militar do Piauí justificou a medida e se defendeu das críticas: “Diferentemente do que vem sendo divulgado, não existe qualquer espécie de preconceito ou ‘machismo’ dentro da Instituição, pois casos similares estão sendo objeto de apuração com o efetivo masculino, sempre dentro da legalidade e imparcialidade”.

Confira o vídeo.

Leia íntegra da nota da Polícia Militar do Piauí

 

“A PMPI diante dos acontecimentos relativos à exposição de Policiais Militares nas mídias sociais fardados, presta as seguintes informações:

1. A utilização do uniforme é regida por legislação específica sendo um dos principais símbolos que representam a profissão militar. Ele reflete o valor e a tradição castrense;

2. A utilização de uniformes representa a legítima autoridade investida pelos poderes constituídos, sendo sua utilização prevista nos regulamentos internos das organizações militares;

3. A apuração de fatos dessa natureza ocorrem em outras co-irmãs visando o respeito aos regulamentos disciplinares das corporações;

4. A Corregedoria Geral da PMPI instaurou no ano de 2020, três ( 03 ) procedimentos administrativos, sendo 01 (um) Inquérito Policial Militar – IPM, e 02 (duas) Sindicâncias por uso indevido de uniformes e por falta de autorização para utilização dos fardamentos. Em que a ampla defesa e contraditório sempre norteiam todos os procedimentos;

5. Diferentemente do que vem sendo divulgado, não existe qualquer espécie de preconceito ou ‘machismo’ dentro da Instituição, pois casos similares estão sendo objeto de apuração com o efetivo masculino, sempre dentro da legalidade e imparcialidade;

6. Vale salientar que a Sindicância é um procedimento apuratório sumário, que busca subsídios para apurar a existência ou não de irregularidades, vislumbrando critérios objetivos de como se deram os fatos: local, situação e demais dados pertinentes que sirvam de base para a devida tomada de decisão pelo gestor.

Teresina, 03 de setembro de 2020.

ELZA Rodrigues Ferreira – Ten Cel PM Diretora de Comunicação Social”

Lelê Teles
Lelê Teles
Formado pela Universidade de Brasília, Lelê Teles é jornalista, roteirista e publicitário. É roteirista do programa Estação Periferia (TV Brasil) e da série De Quebrada em Quebrada (Prodav 09). Sua novela, Lagoas, foi premiada na Primeira Bienal de Cultura da UNE. Discípulo do Mestre Cafuna, prega o cafunismo, que é um lenitivo para a midiotia e cura para os midiotas.